A Rússia elevou o tom sobre a segurança de Belarus em meio ao aumento das tensões envolvendo a guerra na Ucrânia. O secretário do Conselho de Segurança russo, Serguei Shoigu, afirmou que o chamado “guarda-chuva nuclear” de Moscou se estende ao território belarusso, reforçando a aliança militar entre os dois países.
A declaração ocorre em um momento de crescente preocupação com uma possível ampliação do conflito na região. Rússia e Belarus mantêm uma estrutura de integração política, econômica e militar por meio do chamado Estado da União e, em março de 2025, entrou em vigor um tratado específico sobre garantias de segurança dentro dessa estrutura.
Segundo autoridades russas, o acordo permite que Moscou utilize os mecanismos previstos no tratado caso Belarus seja alvo de uma agressão.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou está preparada para aplicar “toda a gama de medidas” prevista no tratado para garantir a segurança de Belarus e do Estado da União.
A declaração, porém, não especificou quais seriam essas medidas.
O posicionamento russo representa uma advertência diante de eventuais ataques ao território belarusso. Ao mencionar o “guarda-chuva nuclear”, Moscou reforça que sua estratégia de dissuasão não estaria limitada às fronteiras russas, mas também envolveria seu principal aliado militar na região.
A relação entre os dois governos foi aprofundada desde o início da invasão russa em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Na ocasião, Belarus permitiu que forças russas utilizassem seu território durante a ofensiva.
Lukashenko diz que Belarus não entrará na guerra
O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko afirmou que o país não será arrastado para a guerra na Ucrânia por iniciativa própria.
Durante exercícios nucleares conjuntos com a Rússia, observados por Lukashenko e pelo presidente Vladimir Putin por videoconferência, o líder belarusso declarou que uma participação direta ocorreria apenas diante de uma agressão contra seu território.
Lukashenko também afirmou que, em uma situação desse tipo, Belarus e Rússia atuariam conjuntamente na defesa de seus territórios.
A declaração foi uma resposta a alertas do presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, sobre a possibilidade de Belarus voltar a ser utilizado como plataforma para operações militares russas.
Exercícios nucleares aumentam tensão
A sinalização ocorreu durante exercícios nucleares conjuntos realizados por Rússia e Belarus, reforçando a dimensão militar da aliança entre Moscou e Minsk.
Apesar da retórica de confronto, Lukashenko também declarou estar disposto a conversar diretamente com Zelenskyy. Segundo o presidente belarusso, ele estaria aberto a um encontro em Belarus ou na Ucrânia para discutir os problemas existentes entre os dois países.
A posição evidencia a tentativa de Minsk de manter sua aliança estratégica com Moscou enquanto rejeita a ideia de que Belarus esteja automaticamente envolvido nas operações militares russas contra a Ucrânia.
Tratado prevê resposta conjunta
Lavrov também acusou Zelenskyy de tentar envolver Belarus diretamente no conflito e ampliar a área de hostilidades. O chanceler russo afirmou que declarações nesse sentido dificultariam uma solução política e diplomática para a guerra.
O ministro citou o tratado de garantias de segurança entre Rússia e Belarus, que passou a vigorar em março de 2025. De acordo com Lavrov, o documento estabelece mecanismos que podem ser acionados para proteger Belarus e o Estado da União.
A existência do acordo, entretanto, não significa que uma resposta militar ou nuclear seja automática em qualquer cenário. A Rússia não apresentou detalhes sobre quais condições específicas poderiam levar à utilização de cada mecanismo previsto.











