Em 2009, Janes Silva estava desempregada, cuidava de um bebê recém-nascido que enfrentava problemas de saúde e buscava alternativas para sustentar a família. Incentivada por uma amiga, procurou ajuda e se inscreveu no Bolsa Família. Anos depois, a mulher que chegou à assistência social em busca de apoio conseguiu transformar a própria trajetória: voltou a estudar, fez cursos de qualificação, conquistou um emprego e acabou trabalhando justamente na secretaria onde um dia havia sido atendida.
A história foi relatada pela própria Janes, hoje assistente social e trabalhadora do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), durante uma edição do seminário Bolsa Família em Ação, realizado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), por meio da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc), em Boa Vista, Roraima.
“Em 2009, eu estava desempregada, com um bebê recém-nascido e doente. Uma amiga me incentivou a me inscrever no programa e, a partir dali, tudo começou a mudar”, relatou Janes.
Segundo ela, a entrada no programa foi apenas o primeiro passo de uma mudança que envolveu também educação e qualificação profissional.
“Participei de cursos no CRAS, voltei a estudar e consegui um emprego. Depois de alguns anos, fui trabalhar na própria secretaria onde um dia fui atendida. Hoje sou assistente social, trabalhadora do SUAS e ajudo outras mulheres a acreditarem em si mesmas”, afirmou.

Programa busca romper ciclo da pobreza
O relato de Janes foi apresentado em 2025 por um evento voltado justamente ao aprimoramento das políticas públicas destinadas às famílias em situação de vulnerabilidade. A proposta do encontro foi fortalecer a gestão descentralizada do Bolsa Família e discutir estratégias para melhorar o atendimento às famílias nos municípios de Roraima.
Estudos também apontam resultados relacionados à permanência das famílias no programa e à posterior entrada no mercado de trabalho. Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), intitulada “Filhos do Bolsa Família: Uma análise da última década do programa”, identificou que 60,68% dos beneficiários que recebiam o programa em 2014 haviam deixado o benefício até 2025.
Entre os jovens, a proporção foi ainda maior. A saída do programa chegou a 68,8% entre aqueles que tinham de 11 a 14 anos em 2014 e a 71,25% entre os que tinham de 15 a 17 anos. O levantamento também registrou aumento da inserção formal no mercado de trabalho entre pessoas que haviam sido beneficiárias.
A lógica está relacionada ao conjunto de ações que acompanha a transferência de renda. Além do pagamento mensal, o Bolsa Família estabelece compromissos relacionados à educação e à saúde, como frequência escolar, vacinação e acompanhamento de crianças e adolescentes.
Bolsa Família atende milhões de famílias
Criado em 2003, o Bolsa Família surgiu com o objetivo de reunir programas de transferência de renda e enfrentar a fome e a extrema pobreza, ampliando também o acesso das famílias à educação e à saúde.
Em julho de 2025, aproximadamente 19,6 milhões de famílias receberam o benefício no país. As mulheres ocupavam a posição de responsáveis familiares em 83,9% dos lares atendidos.
Atualmente, podem ter acesso ao programa famílias cuja renda mensal por pessoa seja de até R$ 218. Em uma residência com quatro integrantes e renda total de R$ 800, por exemplo, a renda per capita é de R$ 200, mantendo a família dentro do critério de renda informado.
O programa assegura valor mínimo de R$ 600 por família, com possibilidade de acréscimos conforme a composição familiar. Há, por exemplo, adicional de R$ 150 por criança de até seis anos, além de R$ 50 para gestantes, crianças e adolescentes de 7 a 18 anos incompletos e nutrizes, que são mães de bebês de até seis meses.
Como uma família pode entrar no programa
O primeiro passo para quem deseja solicitar o Bolsa Família é realizar a inscrição no Cadastro Único (CadÚnico). O procedimento é feito presencialmente em um posto de atendimento do município, como o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).
A inscrição, porém, não representa aprovação automática. Depois do cadastro, o governo analisa as informações fornecidas para verificar se a família atende aos critérios do programa.
Quando aprovada, a família passa a receber os pagamentos mensalmente, com o dinheiro disponibilizado em uma conta digital aberta automaticamente em nome do beneficiário.











