Um estudante de 25 anos foi surpreendido, no início deste ano, ao descobrir que havia recebido R$ 200 mil via Pix em uma conta bancária que estava praticamente abandonada havia cerca de quatro anos. O dinheiro havia sido transferido por engano por um empresário de Cuiabá (MT), que entrou em contato com o jovem apenas 20 segundos depois da operação para avisar sobre o erro.
O caso aconteceu em 17 de janeiro, em Goiânia (GO), onde Leandro Pinheiro Silva mora enquanto cursa técnico em enfermagem. Desempregado, ele recebia o seguro-desemprego pela conta que acabou recebendo o valor inesperado.
Segundo o estudante, uma das possibilidades para o erro é que o número de telefone cadastrado na instituição financeira ainda tenha o DDD 65, de Mato Grosso, o mesmo estado do empresário que realizou a transferência.
A quantia, no entanto, não ficou disponível para que Leandro simplesmente pudesse realizar a devolução. Por causa do valor elevado, o banco bloqueou automaticamente a conta como medida de segurança e iniciou uma análise da movimentação.
Conta ficou bloqueada após transferência
O estudante relatou ao portal Mais Goiás que a instituição financeira abriu um chamado para verificar a situação. O acesso à conta só foi liberado alguns dias depois, permitindo que o dinheiro fosse finalmente devolvido.
O caso foi resolvido em 19 de janeiro, quando o valor retornou ao empresário. A situação chamou atenção principalmente pela circunstância em que ocorreu: o dinheiro chegou a uma conta sem movimentação regular havia anos e pertencia a um jovem que enfrentava dificuldades financeiras.
Leandro afirmou ao g1 que não teve dúvidas de que deveria devolver o dinheiro assim que percebeu o engano. Para ele, a decisão está diretamente relacionada aos ensinamentos recebidos dentro de casa.
Jovem cresceu em família de baixa renda
Natural de uma família humilde, Leandro contou que cresceu em uma região rural ao lado dos dois irmãos. A família sobrevivia com uma renda limitada obtida por meio do trabalho como lavradores e da coleta do coco babaçu.
O estudante explicou que o produto era utilizado para produzir leite e carvão, atividade que ajudava no sustento da família.
A lembrança da infância fez com que ele se emocionasse ao falar sobre a trajetória. O pai já morreu, mas, segundo Leandro, deixou para os filhos um princípio que acabou sendo colocado à prova justamente quando uma quantia de R$ 200 mil apareceu inesperadamente em sua conta.
Para o jovem, a honestidade ensinada pelos pais foi determinante para a decisão de devolver o dinheiro.
“A gente sobrevivia com uma renda muito baixa como lavradores, caçando coco babaçu, de onde tirávamos o leite e fazíamos o carvão”, relatou ao g1.
Ele também afirmou que o pai sempre valorizou a honestidade e que esse ensinamento permaneceu entre os filhos mesmo após sua morte.
Mudança para Goiânia e sonho de cursar enfermagem
Leandro se mudou para Goiânia aproximadamente um ano antes do episódio. A mudança ocorreu com o objetivo de estudar e realizar o sonho de trabalhar na área de enfermagem. Um dos irmãos também mora na capital goiana.
Mesmo passando por dificuldades financeiras e estando desempregado, o estudante decidiu não utilizar o dinheiro que havia sido depositado por engano.
A própria mãe ficou aliviada depois que soube que a situação havia sido solucionada. Para Leandro, a atitude também representa uma forma de honrar a memória do pai e os valores transmitidos pela família.
“Meu pai deve estar alegre, honrado pelo filho que ele deixou na terra”, afirmou o estudante ao g1.
Segundo ele, a repercussão do episódio fez com que diversas pessoas comentassem e elogiassem sua decisão.











