Quem sonha em conhecer uma ilha paradisíaca sem gastar com hospedagem pode encontrar uma alternativa nas Ilhas Canárias, na Espanha. Famílias do arquipélago disponibilizam suas casas gratuitamente para voluntários dispostos a cuidar dos imóveis e dos animais de estimação durante períodos de viagem dos proprietários.
A modalidade, conhecida como house sitting ou pet sitting, permite que o viajante permaneça na residência enquanto cumpre tarefas previamente combinadas. Plataformas especializadas, como a TrustedHousesitters, conectam proprietários e interessados nesse tipo de experiência.
Além de reduzir os gastos com hospedagem, a proposta permite uma experiência diferente daquela vivida por turistas convencionais, com permanência em imóveis de moradores e contato mais próximo com a rotina local.

Como funciona a hospedagem gratuita
No modelo de house sitting, o proprietário deixa a residência sob os cuidados do voluntário durante ausência. Dependendo do acordo, as responsabilidades podem incluir alimentar animais, passear com cães, manter a casa organizada e acompanhar as necessidades básicas dos pets.
Em troca, o viajante recebe acomodação gratuita durante o período estabelecido. As condições, o tempo de permanência e as tarefas variam de acordo com cada oportunidade e devem ser combinados previamente entre as partes.
Nas Canárias, o formato ganha destaque em um momento no qual o arquipélago discute justamente maneiras de equilibrar a atividade turística com a preservação ambiental e a qualidade de vida dos moradores.
Arquipélago recebe milhões de turistas
A busca por alternativas ao turismo tradicional ocorre diante do crescimento expressivo do fluxo de visitantes. Em 2024, a Espanha recebeu quase 100 milhões de turistas estrangeiros, sendo aproximadamente 30,5 milhões destinados às Ilhas Canárias e às Ilhas Baleares.
O volume elevado de visitantes também provocou manifestações contra o chamado overtourism, o turismo excessivo que pode pressionar moradias, infraestrutura, serviços públicos e recursos naturais.
Moradores das Canárias, porém, afirmam que a insatisfação não significa rejeição aos turistas. A principal reivindicação é por uma mudança no comportamento dos visitantes e na forma como as viagens são planejadas.
O arquipélago reúne praias, trilhas, áreas naturais, pontos de mergulho, patrimônio histórico e cultural e locais destinados à observação de baleias. Para moradores, esses atrativos podem ser explorados de maneira mais responsável ao longo do ano, sem concentrar toda a atividade turística em determinados períodos.
Turismo sustentável ganha novo projeto
Em meio ao debate, as Ilhas Canárias também estão colocando em prática uma nova iniciativa voltada à sustentabilidade. O Canary Islands Tourism Regeneration and Nature Restoration Fund (REGNEXT) foi criado pelo governo das Canárias em parceria com o escritório de turismo espanhol no Reino Unido.
A proposta é fazer com que o próprio turismo contribua diretamente para projetos de recuperação ambiental e melhoria das comunidades. Diferentemente de uma taxa turística obrigatória, o modelo prevê contribuições voluntárias dos visitantes.
Os recursos poderão ser direcionados a iniciativas relacionadas à habitação acessível, biodiversidade, adaptação às mudanças climáticas, conservação, recuperação de habitats, melhoria das paisagens e redução de emissões.
O sistema deverá funcionar de forma voluntária, rastreável e transparente, permitindo que os visitantes façam contribuições diretamente pela internet e escolham projetos-piloto que desejam apoiar.
A discussão sobre sustentabilidade ganhou força depois de protestos contra o turismo de massa no arquipélago. Durante os debates, chegou a ser considerada a criação de uma taxa ambiental de € 1 a € 3,50 por noite, mas o modelo apresentado pelo REGNEXT aposta na contribuição voluntária.
Alguns municípios já adotaram cobranças próprias. Em Mogán, na ilha de Gran Canaria, por exemplo, existe uma taxa diária de € 0,15 por pessoa sobre hospedagens.











