Uma das maiores obras de infraestrutura em andamento no Brasil começa a avançar em uma etapa decisiva. A Ponte Salvador-Itaparica, na Bahia, terá 12,4 quilômetros de extensão sobre o mar e será construída com uma estrutura de apoio baseada em um modelo de engenharia aplicado pela primeira vez no país. A previsão contratual é de que o empreendimento seja concluído em junho de 2031.
Considerada a maior estrutura da América Latina sob lâmina d’água, a ponte vai conectar a região do Terminal Marítimo São Joaquim, em Salvador, à área da Gameleira, no município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica.
O projeto prevê investimento de aproximadamente R$ 10,6 bilhões, dentro do contrato de Parceria Público-Privada (PPP), e deverá movimentar a economia baiana durante os anos de construção.
No canteiro de São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, diferentes etapas estão sendo realizadas simultaneamente. Entre elas estão a soldagem de tubos de aço, a fabricação de estruturas metálicas e a preparação de componentes que posteriormente serão levados por via marítima até as frentes de trabalho na Baía de Todos-os-Santos.

Os tubos de aço empregados na fabricação podem chegar a 1.400 milímetros de diâmetro. A união das peças segue especificações técnicas rigorosas, com acompanhamento de profissionais especializados para verificar a qualidade das soldas e garantir que os componentes atendam aos padrões exigidos para uma obra de grande complexidade.
A estrutura de apoio terá papel importante na logística da construção, permitindo o deslocamento de trabalhadores, máquinas e materiais sobre a área marítima e contribuindo para acelerar as operações.
Guindastes e martelos serão usados nas fundações
A instalação das estruturas metálicas exigirá equipamentos de grande capacidade. Um guindaste de 320 toneladas será responsável pelo posicionamento das estacas, contando com o apoio de uma unidade de 100 toneladas.
A colocação das estacas no solo marinho será feita em duas etapas. Inicialmente, um martelo vibratório ajudará na penetração do material. Depois, um martelo hidráulico será utilizado para realizar a cravação definitiva.
A logística também contará com as balsas auxiliares Saga 10 e Saga 12, que farão o transporte contínuo de materiais entre São Roque do Paraguaçu e as frentes de trabalho localizadas na baía.
O projeto utiliza tecnologias de engenharia chinesa, adaptadas às características da construção sobre a Baía de Todos-os-Santos.
Obra deve gerar cerca de 7 mil empregos
Além da dimensão da estrutura, a construção da ponte deve produzir efeitos econômicos importantes para a Bahia. A estimativa é de aproximadamente 7 mil empregos diretos e indiretos durante a execução do empreendimento.
A cadeia produtiva regional também participa das atividades. Segundo Carlos Prates, gerente de Relações Institucionais e porta-voz da concessionária, somente a montagem da estrutura de uma das balsas envolve cinco empresas baianas.
A proposta é ampliar a participação de fornecedores locais em diferentes áreas, desde serviços relacionados à engenharia marítima até a produção de equipamentos.
Ponte terá trecho estaiado a 85 metros sobre o mar
A extensão total de 12,4 quilômetros será dividida em diferentes segmentos. Na região da Ilha de Itaparica, o trecho de aproximação terá 4,6 quilômetros. Já a aproximação pelo lado de Salvador terá 6,9 quilômetros.
Entre os dois segmentos estará o trecho estaiado, com 900 metros de comprimento e estrutura que ficará aproximadamente 85 metros acima do nível do mar.
A ponte é apenas uma parte de um projeto viário mais amplo.
Sistema inclui acessos, rodovias e duplicação
O empreendimento também contempla intervenções nos acessos de Salvador. Entre a Calçada e Água de Meninos, estão previstas novas estruturas viárias, incluindo um conjunto de viadutos e dois túneis praticamente paralelos aos já existentes na Via Expressa.
Do lado da Ilha de Itaparica, o sistema viário terá aproximadamente 30 quilômetros, conectando a chegada da ponte à Ponte do Funil por meio de uma nova rodovia. O projeto prevê ainda viadutos incorporados a três interseções.
Outra etapa envolve a recuperação e duplicação de um trecho da BA-001, nas proximidades de Cacha Prego até a cabeceira da Ponte do Funil.











