Um ano após um dos acidentes aéreos mais devastadores dos últimos anos, a história de Vishwash Kumar Ramesh continua marcada pela sobrevivência e pelas consequências da tragédia. O britânico de 41 anos era passageiro do voo da Air India que partiu de Ahmedabad, na Índia, com destino a Londres, quando o Boeing 787 Dreamliner caiu pouco depois da decolagem. Ramesh estava no assento 11A, próximo a uma saída de emergência, e conseguiu escapar da aeronave após o impacto.
O acidente matou 241 das pessoas que estavam a bordo e outras 19 que estavam no local ou nas proximidades da queda, elevando o número total de mortos para 260. Entre as vítimas estavam 169 cidadãos indianos e 52 britânicos. Outras 67 pessoas ficaram gravemente feridas.
Ramesh foi o único ocupante do avião a sobreviver. Ele deixou a aeronave com ferimentos leves e, desde então, descreve o episódio como um “milagre”. A sobrevivência, porém, não encerrou os efeitos da tragédia. O britânico perdeu o próprio irmão no acidente e afirma conviver com profundas marcas psicológicas e dificuldades financeiras.

Sobrevivente conseguiu escapar após o impacto
O voo tinha acabado de deixar o aeroporto de Ahmedabad quando o Dreamliner atingiu uma faculdade de medicina e caiu dentro de um complexo hospitalar. Em meio à destruição, Ramesh conseguiu sair da aeronave e sobreviver.
A posição que ocupava dentro do avião passou a ser um dos elementos associados à sua fuga. Sentado no 11A, junto a uma saída de emergência, ele conseguiu deixar o Boeing após a queda.
Apesar de ter escapado fisicamente, as consequências emocionais permaneceram. Um ano depois do desastre, Ramesh afirmou que o trauma não terminou no momento em que conseguiu sair dos destroços.
“Vivo com as marcas psicológicas significativas, a perda do meu irmão e as perguntas constantes e sem resposta sobre como e por que isso aconteceu”, afirmou o sobrevivente à Press Association.
Segundo ele, a busca por esclarecimentos também é compartilhada pelas famílias das vítimas. Ramesh defende que as autoridades apresentem informações claras sobre as circunstâncias que levaram à queda.
Investigação ainda deixa perguntas sem resposta
A investigação sobre o acidente ainda não teve seu relatório final divulgado. No mês anterior ao aniversário da tragédia, o ministro da Aviação Civil da Índia havia informado que os trabalhos estavam na etapa final e que o documento deveria estar, em grande parte, concluído até 12 de junho.
Um relatório preliminar foi divulgado pelas autoridades indianas exatamente 30 dias depois da queda, seguindo o procedimento adotado para acidentes dessa natureza. O documento apontou que os dois interruptores responsáveis pelo fornecimento de combustível aos motores haviam sido deslocados para a posição “cut-off” imediatamente após a decolagem.
A informação indicou que o combustível deixou de ser enviado aos motores, mas o relatório preliminar não encerrou as dúvidas sobre a sequência completa dos acontecimentos. É justamente por isso que Ramesh afirma esperar pela divulgação das conclusões definitivas.
Para o sobrevivente, a passagem do tempo não diminuiu a necessidade de esclarecer as causas do acidente. Ele também destacou que as respostas são importantes não apenas para sua família, mas para todas as pessoas afetadas pela tragédia.
Perda do irmão e dificuldades financeiras
Além do impacto psicológico, Ramesh enfrenta dificuldades para retomar a vida profissional e sustentar a família. De acordo com seu representante, Sanjiv Patel, a Air India destinou £21.500 ao sobrevivente para auxiliar no sustento da esposa e do filho de cinco anos.
O valor, entretanto, não teria sido suficiente para resolver as dificuldades financeiras provocadas pelo acidente. Segundo Patel, Ramesh não conseguiu voltar ao trabalho normalmente desde a tragédia, e a família passou a viver com menos de £1.000 por mês.
O representante também afirmou que houve tentativas de estabelecer uma reunião diretamente com o presidente-executivo da Air India, mas o encontro ainda não ocorreu. Ramesh e seus representantes chegaram a conversar com executivos da companhia e representantes ligados ao grupo Tata, que possui participação controladora na empresa.











