A crise financeira enfrentada pela Casas Bahia provocou uma reação do empresário Luciano Hang, dono da Havan. Em publicação nas redes sociais, o empresário criticou a decisão da Justiça do Trabalho que suspendeu o desligamento de cerca de 1,9 mil funcionários da varejista, que está em recuperação judicial e busca reorganizar suas operações diante de uma dívida de R$ 17,3 bilhões.
A Casas Bahia encerrou recentemente as atividades de 298 lojas em todo o país, sendo 23 delas em Santa Catarina. A companhia também acumula prejuízo de R$ 10,1 bilhões e enfrenta uma série de dificuldades relacionadas a contratos de aluguel, funcionários e redução de custos.
Para Hang, a intervenção judicial dificulta o processo de reorganização da empresa. “A Casas Bahia enfrenta uma grave crise financeira e está em recuperação judicial. Precisa reduzir custos, fechar lojas e reorganizar sua operação para tentar sobreviver. E o que acontece? A Justiça do Trabalho suspende 1,9 mil demissões e ainda impede novos cortes”, afirmou.
Hang critica intervenção do Estado
O empresário argumentou que os desligamentos fazem parte das medidas necessárias para empresas que enfrentam dificuldades financeiras e questionou a interferência do poder público nas decisões administrativas.
“Nenhuma empresa demite por querer, mas sim por necessidade”, declarou Hang.
Em outro trecho da manifestação, o dono da Havan afirmou que o ambiente econômico brasileiro contribui para aumentar as dificuldades enfrentadas pelas companhias e criticou a atuação do Estado diante da tentativa de recuperação das empresas.
A decisão mencionada por Hang foi tomada pela Vara do Trabalho de Brasília, que determinou a recontratação dos funcionários atingidos pelos desligamentos. A medida alterou temporariamente o processo de redução do quadro de pessoal planejado pela varejista.
Casas Bahia enfrenta pressão sobre imóveis
Além das dificuldades relacionadas ao quadro de funcionários, a Casas Bahia enfrenta dezenas de ações judiciais movidas por proprietários e administradores de imóveis em diferentes cidades de São Paulo.
Os processos envolvem pedidos de despejo, notificações de rescisão e cobranças relacionadas ao vencimento antecipado de contratos de locação. Entre os imóveis estão lojas instaladas em shopping centers, estabelecimentos comerciais e galpões utilizados para operações logísticas.
A justificativa está relacionada ao peso das lojas físicas no negócio. Segundo a companhia, esses estabelecimentos respondem por mais da metade da receita operacional. Dessa forma, uma perda significativa dos pontos comerciais poderia comprometer a continuidade das atividades enquanto a empresa tenta se recuperar financeiramente.
A recuperação judicial foi solicitada diante de uma dívida de R$ 17,3 bilhões e representa uma tentativa de reorganizar as obrigações financeiras da companhia e evitar um agravamento ainda maior da crise.
Havan segue em direção oposta
Enquanto a Casas Bahia reduz sua estrutura e fecha unidades, a Havan mantém um plano de expansão pelo território nacional.
A companhia catarinense prevê investimentos de até R$ 1,2 bilhão para inaugurar 15 novas lojas e alcançar a marca de 200 unidades no país.
O desempenho recente da empresa ajuda a explicar a estratégia de expansão. Em 2025, a Havan registrou faturamento de R$ 18,5 bilhões, crescimento de 16,1% em relação ao ano anterior.
Para 2026, a expectativa anunciada pela companhia é alcançar 200 megalojas, ampliar sua presença para todos os estados brasileiros, chegar a 25 mil colaboradores e atingir faturamento de R$ 22 bilhões.











