O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em telefonema realizado nesta sexta-feira, que o Brasil não precisa de reconhecimento internacional para atuar contra facções criminosas em seu território. A declaração foi dada em resposta à decisão do governo americano, anunciada em maio, de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas estrangeiras.
De acordo com a Secretaria de Comunicação da Presidência, Lula reiterou que o país dispõe de mecanismos próprios para combater e prender lideranças dessas facções.
O presidente brasileiro também manifestou interesse em cooperar com os Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado, e Trump teria respondido positivamente, dispondo-se a reforçar a cooperação bilateral e mobilizar funcionários de alto escalão para dar continuidade aos entendimentos na área.
Ligação durou mais de 1 hora
A ligação, que durou cerca de uma hora e vinte minutos, também abordou o tarifaço recentemente imposto pelo governo americano contra produtos brasileiros. Lula classificou as alegações norte-americanas para as novas barreiras comerciais como infundadas.
As medidas foram baseadas em investigações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos e incluíram tópicos como desmatamento, combate à corrupção, funcionamento do PIX, mercado de etanol e supostas importações ligadas a trabalho forçado. O Planalto afirmou que todos esses pontos foram rebatidos pelo presidente brasileiro durante a conversa.
Lula destacou que as tarifas prejudicam a economia de ambos os países e defendeu a manutenção do diálogo como melhor caminho para as relações bilaterais.











