Imagine viver em uma cidade onde sair de casa pode significar apenas pegar um elevador. Essa é a realidade de Whittier, no Alasca, uma pequena comunidade com cerca de 275 moradores permanentes que recebe aproximadamente 700 mil visitantes por ano. O detalhe que torna o município ainda mais incomum é que quase toda a população vive sob o mesmo teto: o Begich Towers, um edifício de 14 andares que concentra residências, serviços públicos e diferentes estabelecimentos.
Situada a cerca de 60 milhas de Anchorage, Whittier fica às margens do Passage Canal, cercada por montanhas, geleiras e pelas paisagens do Prince William Sound. Apesar do tamanho reduzido, a cidade funciona como um importante ponto de passagem para o sul do Alasca e recebe milhares de pessoas durante os meses de primavera e verão.
A estrutura peculiar do município é resultado de sua história militar. O local ganhou importância estratégica durante a Segunda Guerra Mundial, quando foi transformado em um porto de águas profundas para movimentação de tropas, equipamentos e suprimentos. Em 1943, a chegada da ferrovia consolidou a importância de Whittier na região.
Muito antes da chegada dos turistas, a região já era utilizada pelos povos Chugach, que aproveitavam a passagem de Portage para atividades de comércio e pesca. Exploradores russos e norte-americanos também passaram pelo território, assim como mineradores que buscavam ouro e utilizavam a região para chegar a outras partes do Alasca.
Depois da Segunda Guerra Mundial, Whittier continuou a crescer e sua infraestrutura militar permaneceu como parte fundamental da cidade. O município foi oficialmente incorporado em 1969.

Uma cidade inteira dentro de um edifício
O Begich Towers é a principal marca da cidade. Construído originalmente como parte da infraestrutura militar, o edifício acabou se tornando o centro da vida comunitária de Whittier.
Grande parte dos moradores vive no prédio, que também abriga serviços e estruturas essenciais. Hospital, escola, administração municipal e outros espaços comunitários estão conectados ou instalados dentro do complexo.
Para os residentes, isso significa que tarefas que normalmente exigiriam deslocamentos de carro podem ser realizadas praticamente sem sair do edifício.
As crianças, por exemplo, podem deixar os apartamentos e chegar à escola por meio de uma passagem subterrânea que conecta o Begich Towers à Whittier Community School. Funcionários públicos também conseguem chegar ao trabalho sem enfrentar as condições climáticas do lado de fora.
A concentração urbana é ainda mais impressionante durante o inverno. Whittier enfrenta longos períodos de chuva, neve e ventos que podem atingir cerca de 80 milhas por hora, condições que ajudam a explicar por que uma estrutura capaz de proteger seus moradores se tornou tão importante para a comunidade.
De cidade militar a destino turístico
Apesar da aparência de cidade isolada, Whittier está longe de ser desconhecida. A comunidade recebe cerca de 700 mil visitantes por ano, segundo a administradora municipal Jackie Wilde, número que supera em milhares de vezes a população permanente.
Navios de cruzeiro, balsas e trens da Alaska Railroad transportam turistas para a região, especialmente durante a temporada mais movimentada. A cidade se tornou uma porta de entrada para atividades como pesca, navegação, caiaque, camping e outras experiências ao ar livre.
O município também funciona como um importante centro de transporte. Além da ferrovia e do sistema de balsas marítimas do Alasca, Whittier é conectada ao restante da região pelo Anton Anderson Memorial Tunnel, um túnel de pista única que combina tráfego ferroviário e rodoviário e é considerado o túnel rodoviário mais longo da América do Norte.
A localização entre as montanhas e o litoral, embora limite a expansão urbana, também é justamente uma das características que atraem visitantes.
Uma cidade pequena com problemas de uma grande movimentação
A enorme diferença entre o número de moradores e o fluxo anual de turistas cria desafios particulares para Whittier.
A cidade e o Departamento de Transportes e Instalações Públicas do Alasca trabalham em um plano de transporte chamado “Whittier Moves”, criado para estudar melhorias na mobilidade e preparar a infraestrutura para as necessidades futuras.
Também estão em andamento planos de longo prazo voltados ao desenvolvimento da região portuária e da economia local.
A prefeitura procura, ao mesmo tempo, preservar as características que tornam Whittier especial e encontrar maneiras de lidar com o crescimento da movimentação durante os períodos de maior turismo.











