O envelhecimento da população brasileira avança em ritmo acelerado, e os dados mais recentes do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros, conduzido pela Fiocruz Minas em parceria com a UFMG, escancaram um quadro preocupante: mais de 6,5 milhões de idosos, o equivalente a 20,4% desse contingente populacional, enfrentam dificuldades para realizar atividades básicas do cotidiano, como se alimentar, tomar banho ou vestir-se.
O levantamento, que ouviu uma parcela representativa da população com 60 anos ou mais, também revelou que a maioria dessas pessoas não recebe assistência regular para lidar com essas limitações.
O grau de dependência cresce com a idade. Entre os participantes com 80 anos ou mais, a proporção de idosos com limitações funcionais salta para 44,2%, enquanto na faixa de 60 a 69 anos esse índice é de 13,9%. As mulheres são as mais atingidas, com 23,1% de incidência de dificuldades, contra 17% entre os homens.
Déficit crítico na qualificação dos cuidadores
A pesquisa também aponta um déficit crítico na qualificação dos cuidadores. Apenas 5,8% deles afirmaram ter recebido treinamento para exercer a função, o que evidencia a ausência de suporte público a famílias que assumem os cuidados sem orientação adequada.
Fora do ambiente doméstico, o medo também é um obstáculo. Quase metade dos idosos em áreas urbanas relatam receio de cair devido a buracos, calçadas irregulares e vias mal conservadas. Entre os mais velhos, esse temor atinge 63,1%. A sensação de insegurança em relação à violência afeta 12,1% dos entrevistados.
34,4% dos idosos apresentam níveis sugestivos de hipertensão
Na saúde, o cenário exige atenção: 34,4% dos idosos apresentam níveis sugestivos de hipertensão, o que corresponde a cerca de 11 milhões de pessoas com risco elevado de infartos e outras complicações, como AVC e demência.
O estudo também destaca a dependência do Sistema Único de Saúde, que atende exclusivamente cerca de dois terços da população idosa, e a relevância da Estratégia Saúde da Família como principal porta de entrada para esse grupo, que já responde por uma fatia expressiva da demanda médica do país. A pesquisa é conduzida pela Fiocruz Minas em parceria com a UFMG.











