A saída de grandes marcas internacionais do Brasil costuma chamar atenção dos consumidores, mas nem sempre significa que a empresa abandonou completamente o país. Em alguns casos, a decisão envolve o fechamento de fábricas; em outros, o fim de lojas, da produção nacional ou da distribuição de determinados produtos. A mais recente mudança envolve a Häagen-Dazs, cuja distribuição no mercado brasileiro será encerrada pela General Mills após quase três décadas.
O movimento ocorre em meio a um ambiente empresarial marcado por desafios de competitividade, custos, mudanças no comportamento do consumidor e reestruturações globais. Veja 11 marcas conhecidas mundialmente que encerraram alguma parte de suas operações no Brasil:
- Häagen-Dazs: A marca de sorvetes Häagen-Dazs terá sua distribuição encerrada no Brasil pela General Mills, encerrando uma presença de quase 30 anos no mercado nacional. Segundo a companhia, a decisão faz parte de uma reformulação do portfólio.
- Haribo: Conhecida mundialmente pelos famosos Ursinhos de Ouro, a alemã Haribo em abril de 2026, a empresa anunciou o encerramento da produção nacional, com a unidade permanecendo em funcionamento até julho para concluir o processo. A companhia citou dificuldades relacionadas à competitividade e a fatores externos que afetaram o ambiente de negócios brasileiro.
- Ford: A Ford chegou ao Brasil em 1919 e construiu uma longa história industrial no país, mas encerrou a produção nacional de veículos em 2021. As fábricas de Camaçari, na Bahia, e Taubaté, em São Paulo, deixaram de fabricar veículos, enquanto a unidade da Troller, no Ceará, também foi fechada. A montadora apontou capacidade ociosa, queda nas vendas, perdas acumuladas, cenário econômico desfavorável e impactos da pandemia.
- Mercedes-Benz: A Mercedes-Benz iniciou trajetória industrial brasileira em 1956. Em 2020, a montadora anunciou o encerramento da produção de carros na fábrica de Iracemápolis, no interior paulista, unidade que fabricava os modelos Classe C e GLA. A empresa citou dificuldades econômicas, queda nas vendas de veículos premium e uma reestruturação global.
- Forever 21: A rede americana de moda Forever 21 chegou ao Brasil em 2014 e chegou a reunir 15 lojas. A operação física foi encerrada em 2022, depois de períodos de liquidação para a venda dos estoques. Entre os fatores apontados para a decisão estavam as dificuldades financeiras da companhia, custos elevados, baixa escala da operação e a forte concorrência de varejistas asiáticas no mercado brasileiro.
- Fnac: A francesa Fnac desembarcou no Brasil em 2000 com um modelo de lojas voltado a livros, música, filmes, eletrônicos e produtos culturais. A rede chegou a ter 12 unidades no país, mas a operação foi adquirida pela Livraria Cultura em 2017.
- Walmart: O Walmart iniciou operações brasileiras em 1995 e em 2018, o fundo Advent International comprou 80% da operação brasileira, dando início a uma ampla reestruturação. A marca Walmart deixou gradualmente de aparecer nas lojas e, a partir de 2019, a operação passou a utilizar a identidade Grupo BIG.
- Sony: Presente no Brasil desde 1972, a Sony ficou conhecida no mercado nacional por televisores, câmeras e equipamentos de áudio. Em 2020, a companhia anunciou o fechamento da fábrica de Manaus e o fim da produção desses equipamentos no país. Em março de 2021, confirmou também que deixaria de vender determinados produtos eletrônicos no mercado brasileiro.
- Nikon: A japonesa Nikon encerrou operação direta de comercialização de câmeras, lentes e acessórios fotográficos no Brasil após anunciar a decisão em 2017. A medida fazia parte de uma reestruturação global que buscava reorganizar áreas como pesquisa e desenvolvimento, vendas e fabricação.
- Roche: A farmacêutica Roche está no Brasil desde 1931 e chegou a fabricar medicamentos em sua unidade de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A fábrica produzia medicamentos conhecidos, como Bactrim, Lexotan e Rivotril, mas a companhia anunciou o encerramento da unidade em 2019, diante da redução dos volumes de produção e de mudanças em sua estratégia global.
- Topshop: A britânica Topshop chegou ao Brasil em 2012, com sua primeira loja instalada no shopping JK Iguatemi, em São Paulo. A marca chegou a manter quatro endereços no estado, mas encerrou sua última unidade em 2016. A companhia não apresentou uma explicação detalhada para a saída, embora a operação enfrentasse dificuldades relacionadas ao desempenho das lojas e aos custos de ocupação.
Saídas mostram diferentes estratégias
Os casos revelam que o chamado “fim de uma marca no Brasil” pode representar situações bastante diferentes. Algumas companhias encerraram praticamente toda a operação direta, enquanto outras apenas fecharam fábricas, abandonaram lojas físicas ou interromperam a venda de determinados produtos.
Ford e Mercedes-Benz, por exemplo, deixaram de produzir automóveis no país, mas continuaram atuando com veículos importados ou outras linhas. A Roche fechou sua fábrica, mas preservou a operação comercial. Já o Walmart passou por uma mudança de controle e de identidade, dando lugar ao Grupo BIG.
O cenário econômico também ajuda a explicar parte desses movimentos. Levantamentos citados de RGF & Associados e Serasa Experian apontam que 5,3 mil empresas encerraram 2025 sob proteção judicial para renegociar dívidas, um aumento de 24% em relação ao ano anterior. Somente no último trimestre, foram registrados 510 pedidos, envolvendo aproximadamente R$ 40 bilhões em dívidas.











