O Brasil receberá, entre 3 e 25 de setembro, militares dos Estados Unidos, França e Paraguai para participar de um dos principais exercícios de treinamento das Forças Armadas brasileiras. A autorização para a entrada e a permanência temporária dos estrangeiros foi concedida pelo Ministério da Defesa e publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (26).
Ao todo, 115 militares estrangeiros deverão integrar o Exercício Formosa 2026, sendo 55 norte-americanos, 40 franceses e 20 paraguaios. O treinamento será realizado em áreas do Estado de Goiás e do Distrito Federal, embora os locais específicos não tenham sido divulgados no despacho oficial.
A presença dos militares estrangeiros ocorrerá em conjunto com integrantes da Marinha, do Exército e da Força Aérea Brasileira (FAB). O exercício é conduzido pela Marinha e tem como principal objetivo manter a capacidade operacional do Corpo de Fuzileiros Navais para atuar em situações de combate.
Militares dos EUA chegarão com armamentos e equipamentos
A autorização concedida pelo governo brasileiro estabelece condições específicas para o contingente estrangeiro. Os militares dos Estados Unidos, além do efetivo de 55 integrantes, poderão ingressar no país acompanhados de armamentos, munições, equipamentos de comunicação e sistemas optrônicos.
Esses equipamentos são utilizados para atividades de detecção, observação, identificação e acompanhamento de alvos, combinando sensores ópticos e sistemas eletrônicos.
O despacho foi encaminhado aos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, além dos comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. As representações diplomáticas dos três países em Brasília também foram comunicadas sobre a autorização.
A operação terá duração de mais de três semanas e faz parte da programação de cooperação militar entre o Brasil e países considerados parceiros estratégicos.
Exercício Formosa reúne Forças Armadas desde 1988
Realizado desde 1988, o Exercício Formosa recebe esse nome por ocorrer no Campo de Instrução de Formosa, em Goiás. A atividade foi criada pela Marinha para aperfeiçoar a preparação dos fuzileiros navais e simular situações de combate.
Durante anos, a operação ficou concentrada na Marinha. A partir de 2021, porém, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira também passaram a integrar o treinamento, ampliando o caráter conjunto da atividade.
A participação de forças estrangeiras também faz parte da história do exercício, que já recebeu militares de nações consideradas amigas do Brasil. A edição de 2026, entretanto, ganha atenção adicional por reunir contingentes dos Estados Unidos, França e Paraguai em um momento de relações internacionais marcadas por disputas e mudanças estratégicas.
Operação foi cancelada em meio à crise com os EUA em 2025
A realização do exercício em 2026 também contrasta com o que ocorreu no ano anterior. Em 2025, a segunda fase da Operação Formosa foi cancelada pelo governo brasileiro em meio a um período de forte desgaste nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Naquele momento, estava prevista a participação de militares norte-americanos e de integrantes das Forças Armadas de outros países, incluindo China, França, Bolívia e Paraguai.
Oficialmente, o cancelamento foi associado a questões econômicas e à concentração de esforços do governo brasileiro na realização da COP30 e na Operação Atlas 2025, considerada uma das maiores operações conjuntas das Forças Armadas na Amazônia.
Nos bastidores, porém, surgiram interpretações de que o cenário diplomático entre Brasília e Washington também teria pesado na decisão. A situação ganhou nova dimensão em 2026, com o agravamento das divergências comerciais entre os dois países.
Treinamento ocorre em dois estados
Com a autorização publicada pelo Ministério da Defesa, a edição deste ano está programada para ocorrer entre 3 e 25 de setembro, abrangendo áreas de Goiás e do Distrito Federal.
A operação permitirá que os militares brasileiros realizem exercícios conjuntos com tropas estrangeiras, reproduzindo diferentes cenários e procedimentos operacionais. A integração busca ampliar a capacidade de coordenação entre as forças participantes e fortalecer a cooperação militar internacional.
Apesar da presença de armamentos e munições do contingente norte-americano, a autorização é temporária e está vinculada exclusivamente à participação dos estrangeiros no Exercício Formosa 2026.











