Cerca de 800 pessoas se revezaram para puxar com cordas uma torre de aproximadamente 360 toneladas e conseguiram deslocar a estrutura por mais de dois metros no Japão. A ação ocorreu no Castelo de Hirosaki, na província de Aomori, no norte do país, e faz parte de um projeto maior para devolver a construção histórica à sua posição original.
Ao longo da operação, os participantes puxaram cordas de aproximadamente 30 metros enquanto entoavam em conjunto o tradicional “so-re, so-re”. Em dois dias, a torre avançou 1,13 metro no sábado e outros 1,09 metro no domingo, totalizando 2,22 metros.
A iniciativa chamou atenção justamente por utilizar a força humana para movimentar uma estrutura que, à primeira vista, exigiria máquinas de grande porte. O trabalho, porém, segue uma técnica tradicional japonesa conhecida como hikiya, utilizada para transportar edifícios inteiros sem desmontá-los.
11 lat temu zabytkowa baszta zamku w Hirosaki została w całości pzesunięta na specjalnych metalowych szynach o 70 metrów, aby przeprowadzić remont kamiennego muru, na którym stała. Teraz wraca na swoje miejsce, w czym symbolicznie pomagają ochotnicy. pic.twitter.com/D268VqEELf
— Japońska Perspektywa (@JPerspektywa) August 24, 2026
Técnica milenar preserva patrimônio histórico
A torre de três andares do Castelo de Hirosaki já havia sido deslocada em 80 metros em 2015, quando engenheiros precisaram liberar o acesso às fundações de pedra para realizar obras de reparo.
Em vez de desmontar a construção de madeira, os especialistas optaram por elevá-la inteira e colocá-la sobre trilhos metálicos, permitindo que fosse transportada até uma plataforma temporária.
Agora, depois da conclusão dos trabalhos nas estruturas de sustentação, chegou o momento de fazer o caminho de volta.
O hikiya consiste justamente em movimentar construções inteiras sobre rolos ou trilhos. Embora historicamente tenha sido utilizado para abrir espaço para obras urbanas, ampliação de estradas e outros projetos, o método passou a ganhar importância na conservação de edifícios históricos japoneses.
No caso do Castelo de Hirosaki, a técnica permitiu preservar a estrutura sem a necessidade de desmontá-la.
Milhares de pessoas participaram
A mobilização ultrapassou os moradores da região. Segundo autoridades locais, aproximadamente 4 mil pessoas, incluindo participantes vindos do exterior, já participaram da operação.
Para os dias em que a força humana foi utilizada diretamente, havia 1.800 vagas, mas a procura foi muito superior. Cerca de 8 mil pessoas se candidataram, aproximadamente quatro vezes o número disponível.

Os participantes foram divididos em grupos de cerca de 80 pessoas, que se alternaram para puxar as cordas e deslocar a torre poucos centímetros de cada vez.
Uma das participantes foi Azusa Nimiya, de 46 anos, apaixonada por história e castelos. Ela viajou da província de Shimane, localizada do outro lado da principal ilha japonesa, para participar da experiência.
A ação também atraiu pessoas de diferentes partes do mundo, incluindo participantes do Sudeste Asiático, Europa e América do Norte.
Torre será deslocada por 5 metros com ajuda humana
A meta é que aproximadamente 4.100 pessoas participem da movimentação manual da torre ao longo deste mês. O objetivo dessa etapa é deslocar a estrutura em aproximadamente 5 metros utilizando exclusivamente a força dos participantes.
Depois disso, máquinas serão utilizadas para completar o restante do trajeto, estimado em 73 metros.
A operação ocorre depois que a muralha do castelo foi reconstruída. Ao todo, 2.185 pedras foram recolocadas em suas posições originais durante o processo de restauração.
A movimentação da torre, portanto, não representa apenas uma demonstração de força. O procedimento faz parte de uma estratégia para preservar um patrimônio cultural japonês sem comprometer sua estrutura original.











