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O horário em que você come pode influenciar quanto tempo vai viver, diz estudo

Por Pedro Silvini
27/08/2026
Em Geral
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comer café da manhã

(Reprodução/Pixabay)

O horário em que uma pessoa faz suas refeições pode estar relacionado à saúde ao longo dos anos. É o que indica um estudo publicado no European Journal of Clinical Nutrition, que analisou dados de 31.044 adultos com 40 anos ou mais nos Estados Unidos e encontrou diferenças nos riscos de mortalidade conforme o momento em que os participantes iniciavam e encerravam a alimentação diária.

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A pesquisa acompanhou informações coletadas entre 1999 e 2018 pelo National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), levantamento nacional de saúde e nutrição dos Estados Unidos. Os pesquisadores utilizaram registros alimentares de 24 horas, nos quais os participantes informavam o que haviam consumido e o horário de cada alimento ou bebida.

Os dados foram posteriormente relacionados aos registros nacionais de mortalidade até o fim de 2019. Durante um período mediano de acompanhamento de 8,6 anos, foram registradas 7.129 mortes, sendo 2.259 atribuídas a causas cardiovasculares.

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Apesar dos resultados, o estudo identificou associações estatísticas, e não uma relação de causa e efeito. Ou seja, a pesquisa não demonstra que simplesmente mudar o horário das refeições fará uma pessoa viver mais.

Primeira refeição mais tarde chamou atenção

Para analisar o momento em que as pessoas começavam a comer, os pesquisadores consideraram como primeira refeição qualquer alimento ou bebida com calorias consumido depois das 4h da manhã. Assim, o conceito não ficou limitado ao café da manhã tradicional.

A faixa entre 7h e 8h foi utilizada como referência. Em comparação com esse período, fazer a primeira refeição entre 8h e 10h esteve associado a um risco 10% maior de morte por qualquer causa.

Associações entre horários da primeira e da última refeição e a mortalidade – Foto: (Reprodução/ European Journal of Clinical Nutrition (2026). DOI: 10.1038/s41430-026-01796-1)

Quando a primeira ingestão calórica ocorria entre 10h e meio-dia, a associação chegava a 19%. Para aqueles que só comiam pela primeira vez depois do meio-dia, o risco associado à mortalidade por todas as causas alcançava 29%.

Os resultados também chamaram atenção quando considerados os problemas cardiovasculares. Iniciar a alimentação somente após o meio-dia esteve associado a um risco 46% maior de morte cardiovascular em comparação com quem fazia a primeira refeição entre 7h e 8h.

Segundo a estimativa apresentada pelos pesquisadores, aos 50 anos, as pessoas que começavam a comer mais tarde apresentavam uma expectativa de vida estimada em média 2,46 anos menor em comparação com o grupo de referência.

Jantar também apresentou diferença

O horário da última refeição apresentou um comportamento diferente. Em vez de o risco simplesmente aumentar à medida que o jantar ficava mais tarde, os pesquisadores encontraram uma associação em formato de U.

Tomando como referência o período entre 19h e 20h, terminar a alimentação antes das 19h esteve associado a um risco 13% maior de morte por qualquer causa. Já fazer a última refeição depois da meia-noite apresentou associação com um aumento de 27% nesse risco.

O menor risco estimado no modelo ficou próximo das 20h.

A relação também apareceu quando os pesquisadores analisaram especificamente as mortes cardiovasculares. O consumo alimentar muito tarde esteve associado a resultados menos favoráveis, reforçando a hipótese de que o momento em que o organismo recebe alimentos pode ter relação com processos metabólicos e cardiovasculares.

Relógio biológico entra na discussão

A possível relação entre alimentação e horário está ligada ao funcionamento do ritmo circadiano, sistema interno que organiza diversas funções do organismo ao longo de aproximadamente 24 horas.

Esse relógio biológico influencia processos como sono, produção hormonal, metabolismo e reparação celular. A área que investiga a interação entre os horários das refeições e esses ciclos é conhecida como crononutrição.

A preocupação ganhou espaço porque hábitos contemporâneos frequentemente alteram os padrões tradicionais de alimentação. Nos Estados Unidos, estudos apontam que quase um em cada cinco adultos pula o café da manhã, enquanto uma parcela significativa da população costuma comer durante a noite.

Pesquisas anteriores já haviam relacionado tanto o hábito de não tomar café da manhã quanto a alimentação noturna a alterações metabólicas e outros indicadores de saúde. O novo estudo procurou avançar nessa discussão ao observar especificamente como os horários da primeira e da última refeição estavam associados à mortalidade.

Pesquisa levou outros fatores em consideração

Para tentar reduzir a influência de características que poderiam interferir nos resultados, os pesquisadores ajustaram a análise levando em conta fatores como idade, tabagismo, atividade física, qualidade da alimentação, índice de massa corporal, ingestão energética, renda e doenças preexistentes.

Ainda assim, os próprios resultados devem ser interpretados com cautela. O estudo é observacional e, portanto, não permite afirmar que o horário das refeições seja diretamente responsável pelo aumento ou pela redução da expectativa de vida.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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