O futuro da mobilidade aérea começa a ganhar contornos concretos em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Pesquisadores do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em parceria com a VertiMob Infrastructure, concluíram a primeira etapa de um simulador criado para reproduzir como funcionariam pousos, decolagens e o fluxo de passageiros de futuros eVTOLs, aeronaves elétricas capazes de decolar e pousar verticalmente e popularmente chamadas de “carros voadores”.
Os testes foram realizados considerando a operação no Aeroporto de São José dos Campos e avaliaram, entre outros aspectos, a dinâmica necessária para que o embarque e o desembarque ocorram rapidamente. A expectativa do projeto é permitir que o passageiro conclua o processo de embarque em até 15 minutos.
Os resultados da primeira fase foram encaminhados à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A próxima etapa prevê a transferência de parte dos experimentos para uma estrutura física, permitindo avaliar na prática a viabilidade da operação.

A proposta está sendo analisada para o Aeroporto de São José dos Campos, que poderá funcionar como um dos principais pontos de conexão para os eVTOLs na região.
De acordo com a Anac, a estrutura inicialmente estudada é destinada a operações rápidas e não contempla toda a infraestrutura convencional de um aeroporto para embarque, desembarque e suporte operacional. Os estudos deverão avaliar a viabilidade técnica da instalação e os impactos que uma eventual operação poderá provocar no local.
A ideia é criar uma estrutura semelhante à lógica já conhecida na aviação: o aeroporto funcionaria como um vertiporto, concentrando aeronaves e oferecendo infraestrutura para operações mais completas, enquanto outros pontos espalhados pela cidade poderiam funcionar como locais menores de pouso e decolagem.
Energia solar para abastecer a nova mobilidade
A geração de energia também está no centro do projeto. Como os eVTOLs utilizam propulsão elétrica, a infraestrutura precisa contar com pontos de recarga capazes de atender às aeronaves.
Por isso, a proposta prevê uma usina fotovoltaica de 3 MW que poderá fornecer energia tanto para o vertiponto da arena quanto, futuramente, para o vertiporto instalado no aeroporto.
O projeto ainda inclui um posto de abastecimento voltado a veículos elétricos terrestres, como ônibus e caminhões. A intenção é integrar diferentes formas de mobilidade e reduzir o impacto ambiental da operação.
Região já concentra desenvolvimento de eVTOLs
São José dos Campos também está inserida em um ecossistema diretamente ligado ao desenvolvimento dessa nova tecnologia. A cidade fica próxima de Taubaté, onde estão concentrados estudos e atividades relacionadas à fabricação dos eVTOLs pela Eve Air Mobility.
A instalação de uma rede de vertiportos e vertipontos poderia, portanto, criar uma infraestrutura complementar para essas aeronaves e estimular novos serviços de mobilidade aérea na região.
Além do transporte de passageiros, o projeto prevê atividades comerciais no entorno e sob a estrutura do vertiponto. A expectativa dos responsáveis é que a iniciativa ajude a ampliar a circulação de pessoas e serviços na área da arena.
Como funcionaria a rede
O modelo em estudo prevê uma espécie de rede de mobilidade aérea urbana. O Aeroporto de São José dos Campos funcionaria como um vertiporto, com estrutura mais completa para concentrar aeronaves e operações, enquanto locais como a Farma Conde Arena poderiam atuar como vertipontos distribuídos pela cidade.
Antes que os chamados “carros voadores” passem a transportar passageiros regularmente, porém, ainda será necessário avançar em estudos técnicos, infraestrutura, segurança e regulamentação.
O primeiro simulador já deu um passo nessa direção ao reproduzir virtualmente as operações e o fluxo de passageiros.











