Uma das maiores obras industriais em andamento no Brasil já mudou a rotina de uma pequena cidade do Mato Grosso do Sul. Em Inocência, município com população estimada em cerca de 8,4 mil habitantes, o Projeto Sucuriú, da Arauco, chegou a 70% de avanço e tem conclusão prevista para o fim de 2027. O empreendimento recebeu investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, aproximadamente R$ 25 bilhões, e poderá movimentar até 20 mil empregos diretos e indiretos ao longo de suas diferentes etapas.
Desde o lançamento da pedra fundamental, em abril de 2025, aproximadamente 14 mil trabalhadores já foram mobilizados no canteiro de obras. O contingente, superior ao número de habitantes da própria cidade, provocou reflexos em setores como hospedagem, alimentação, transporte, segurança e fornecimento de materiais.
A dimensão do projeto também se reflete na capacidade planejada da unidade: a fábrica deverá produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, tornando-se a maior fábrica de celulose do mundo projetada em uma única linha de produção.
O Projeto Sucuriú ocupa uma área de aproximadamente 3.500 hectares, localizada a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência. A estrutura envolve não apenas a construção da planta industrial, mas também sistemas elétricos, automação, equipamentos, infraestrutura e uma complexa operação logística.
Parte dos componentes utilizados na obra percorreu milhares de quilômetros antes de chegar ao interior sul-mato-grossense. Um exemplo é o balão da caldeira, produzido na China. O equipamento passou por portos brasileiros, incluindo Paranaguá, no Paraná, e Santos, em São Paulo, antes de completar o trajeto por rodovias até o canteiro.
A construção já acumula cerca de 1 milhão de horas trabalhadas e entra em uma fase decisiva para que a operação seja iniciada dentro do cronograma previsto para o final de 2027.
Ferrovia terá 54 quilômetros
A logística de transporte também é uma das principais estruturas do empreendimento. Para retirar a celulose produzida em Inocência, a Arauco está construindo uma ferrovia de 54 quilômetros, que fará a conexão com a Malha Norte.
A composição logística prevista inclui 26 locomotivas e aproximadamente mil vagões. Depois de entrar na malha ferroviária, a produção deverá percorrer cerca de 1.050 quilômetros até o Porto de Santos, de onde poderá ser destinada ao mercado externo.
Os vagões foram fabricados pela Randon especificamente para as necessidades da operação. Cada unidade possui capacidade bruta de 130 toneladas e pode transportar até 98 toneladas de carga líquida.
As dimensões também são expressivas: cada vagão mede aproximadamente 23 metros de comprimento, 3,3 metros de largura e 4,28 metros de altura.
O projeto inclui ainda lonas com tramas de aço antivandalismo e sistemas desenvolvidos para impedir a entrada de umidade da chuva, protegendo a celulose durante o transporte.
Frota própria também será ampliada
A estrutura logística não ficará restrita aos trilhos. A Arauco prevê aproximadamente 55 conjuntos de tritrem para o transporte de madeira utilizada no processo industrial.
Os veículos, formados por cavalo mecânico e implementos florestais, foram adaptados especificamente para as necessidades da empresa. A frota contará com recursos como suspensão pneumática e mecânica, além de modificações voltadas à resistência, durabilidade e segurança.
A estratégia busca garantir maior previsibilidade no deslocamento das cargas e aumentar a produtividade da operação florestal.
Milhares de empregos durante e depois da obra
A geração de empregos é um dos principais impactos econômicos esperados para a região. Durante a construção, o projeto deverá proporcionar mais de 14 mil oportunidades de trabalho, número que já se aproxima do contingente mobilizado desde o início da implantação.
Depois que a fábrica entrar em funcionamento, a expectativa é de aproximadamente 6 mil pessoas envolvidas na operação, entre empregos diretos e indiretos. Somadas as diferentes fases do empreendimento, a estimativa chega a até 20 mil empregos.
O efeito econômico, porém, não se limita aos postos de trabalho. A chegada de milhares de profissionais à região aumentou a demanda por serviços, comércio, alimentação, hospedagem, transporte e fornecedores, transformando a dinâmica de Inocência.











