O histórico de enchentes colocou Rio do Sul, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, em estado permanente de atenção diante das mudanças no comportamento do clima. Com a confirmação da atuação do El Niño, fenômeno conhecido por alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo, o município decidiu reforçar a preparação para possíveis desastres. A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social prevê investir R$ 1 milhão na estrutura dos abrigos destinados a moradores que eventualmente precisem deixar suas casas durante períodos de cheia.
A estratégia considera principalmente a experiência acumulada pela cidade, frequentemente afetada por chuvas intensas e inundações. O chamado “fantasma da enchente” permanece presente na rotina da população e leva o poder público a antecipar medidas de assistência antes que ocorram novos episódios extremos.
O investimento deverá ampliar as condições para receber pessoas desalojadas e faz parte de uma preparação mais abrangente diante da influência do fenômeno climático.
El Niño aumenta preocupação em Santa Catarina
A possibilidade de ocorrência do El Niño já havia mobilizado órgãos de monitoramento climático e de defesa civil. Projeções do Climate Prediction Center, dos Estados Unidos, apontavam inicialmente uma probabilidade de 80% de formação do fenômeno entre julho e agosto de 2026.
A expectativa era de que o episódio permanecesse ativo durante a primavera e o verão, com 25% de possibilidade de atingir intensidade muito forte. O rápido aquecimento das águas do Pacífico Equatorial foi um dos principais sinais considerados pelos especialistas.
Em Santa Catarina, a Defesa Civil e a Epagri/Ciram acompanham a evolução das condições meteorológicas e seus possíveis efeitos sobre áreas urbanas e rurais. A preocupação não se limita às cidades: agricultura e pecuária também podem ser afetadas por alterações no regime de chuvas e temperaturas.
Apesar dos sinais de fortalecimento do fenômeno, ainda existem incertezas relacionadas à duração e à intensidade que o El Niño poderá alcançar.
Cidade se prepara para possíveis novas enchentes
Em Rio do Sul, a preparação concentra atenção especial na assistência às famílias atingidas por cheias. O município possui histórico de eventos de inundação e, por isso, a estrutura de abrigamento é considerada uma das áreas prioritárias para prevenção.
O investimento de R$ 1 milhão previsto para este ano busca garantir melhores condições para acolher moradores desalojados caso as águas voltem a atingir áreas residenciais.
A preocupação ganha força porque alterações no padrão de precipitação podem favorecer episódios de chuva intensa em determinadas regiões. Para uma cidade que já enfrenta recorrentes problemas relacionados às cheias, a preparação antecipada pode reduzir os impactos sobre a população.
Fenômeno também preocupa setor de saúde
Os efeitos esperados do El Niño não estão restritos aos eventos meteorológicos. O governo federal desenvolveu o Plano de Preparação e Resposta a Emergências em Saúde Pública associadas ao El Niño 2026-2027, dentro das estratégias do plano setorial de saúde AdaptaSUS.
A iniciativa reúne medidas para preparar os serviços públicos diante de possíveis impactos provocados pelas alterações climáticas.
De acordo com o planejamento, mudanças no clima podem aumentar a ocorrência de doenças e mortes e também elevar a procura por atendimento médico. Dessa forma, períodos de enchentes, calor intenso ou outros eventos extremos podem pressionar simultaneamente a infraestrutura urbana e os serviços de saúde.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação atmosférica, os ventos e a distribuição das chuvas em diferentes regiões do planeta.
Os efeitos não são iguais em todos os lugares. Dependendo da intensidade do episódio e da interação com outros sistemas atmosféricos, algumas áreas podem enfrentar mais chuva, enquanto outras passam por períodos de estiagem ou temperaturas acima do normal.
É justamente essa variabilidade que mantém órgãos meteorológicos em alerta. Em Rio do Sul, a experiência com enchentes faz com que a preparação ocorra antes da chegada de eventuais eventos severos.











