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Crianças e adolescentes podem usar canetas emagrecedoras? Veja o que dizem os especialistas

Por Pedro Silvini
31/08/2026
Em Geral
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Ozempic

(Reprodução/Unsplash)

O uso de canetas emagrecedoras por crianças e adolescentes passou a preocupar especialistas após vídeos de pais aplicando medicamentos nos próprios filhos ganharem repercussão nas redes sociais. Diante do aumento da exposição a esses produtos, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou um alerta sobre os possíveis riscos para pessoas que ainda estão em fase de desenvolvimento.

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Os medicamentos que ganharam popularidade para emagrecimento pertencem, em muitos casos, à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo organismo. Entre os princípios ativos dessa categoria estão substâncias como semaglutida e tirzepatida.

A SBP chama atenção principalmente para o risco de transformar o uso desses medicamentos em uma prática sem acompanhamento adequado. Em crianças e adolescentes, a avaliação precisa considerar não apenas o peso, mas também crescimento, desenvolvimento físico, alimentação, condições de saúde e estágio de maturação.

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mounjaro
(Reprodução/Shutterstock)

Vídeos nas redes sociais aumentam preocupação

O alerta da entidade ocorreu após publicações de mães utilizando medicamentos para emagrecimento em seus filhos circularem nas redes sociais.

Em uma das gravações, uma mãe afirma aplicar o medicamento na filha de 17 anos por recomendação médica. Em outra publicação, uma mulher relata ter levado a filha, de 11 anos e 70 quilos, a um médico e recebido indicação para utilização da tirzepatida.

A exposição desses casos ocorre em meio à explosão da popularidade das chamadas canetas emagrecedoras. O interesse por medicamentos como o Ozempic cresceu rapidamente nas plataformas digitais. Vídeos associados à hashtag #Ozempic no TikTok, por exemplo, passaram de cerca de 2 milhões de visualizações em 2021 para mais de 1,2 bilhão em 2023.

A popularização também contribuiu para o aumento das prescrições, inclusive entre adolescentes.

Uso entre adolescentes cresceu quase 600%

Nos Estados Unidos, o uso de medicamentos da classe dos GLP-1 entre adolescentes aumentou quase 600% em cinco anos, segundo dados publicados no JAMA.

O crescimento está relacionado à expansão dos tratamentos contra a obesidade infantil e às autorizações regulatórias para determinados medicamentos a partir dos 12 anos no país. Entretanto, a disponibilidade e as regras variam de acordo com cada localidade.

Pesquisadores da Universidade Yale estimam que aproximadamente 17 milhões de adolescentes e jovens adultos norte-americanos entre 12 e 25 anos poderiam atender atualmente aos critérios para algum tipo de terapia com GLP-1.

Apesar do aumento da procura, o acesso ainda é limitado. Um estudo publicado no JAMA Pediatrics, que analisou mais de 2 milhões de adolescentes com obesidade, apontou que menos de 1% havia recebido prescrição de um medicamento dessa classe. Entre os obstáculos estão principalmente custos elevados e dificuldades de cobertura por seguros de saúde.

Por que especialistas recomendam cautela?

Os agonistas de GLP-1 atuam em mecanismos relacionados à saciedade, ao controle da glicose e ao funcionamento do sistema digestivo. Medicamentos mais recentes dessa classe ganharam espaço no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.

Embora estudos apontem benefícios importantes para determinados pacientes, especialistas destacam que ainda existem lacunas nas evidências específicas para crianças e adolescentes, principalmente quando se considera o uso prolongado.

Uma das preocupações envolve possíveis efeitos sobre a puberdade, o crescimento e o desenvolvimento, aspectos que ainda não foram suficientemente esclarecidos para todas as situações.

Isso não significa que medicamentos da classe sejam necessariamente proibidos para todos os pacientes pediátricos. Em determinadas circunstâncias, especialistas consideram os GLP-1 uma ferramenta que pode fazer parte do tratamento da obesidade infantil, desde que exista indicação clínica e acompanhamento adequado.

Tratamento precisa ser individualizado

A obesidade durante a infância e a adolescência é uma condição complexa e pode permanecer na vida adulta. Por isso, entidades médicas reconhecem que os medicamentos podem ter espaço no tratamento de pacientes selecionados.

O problema está no uso motivado apenas por padrões estéticos ou pela influência das redes sociais, sem avaliação profissional.

Além dos possíveis efeitos adversos, estudos recentes apontam dificuldades relacionadas à continuidade do tratamento. Famílias podem enfrentar problemas financeiros, falta de cobertura e interrupções provocadas por efeitos colaterais ou falhas no acompanhamento médico.

Por isso, a utilização de uma caneta emagrecedora por uma criança ou adolescente não deve ser decidida com base em vídeos, relatos de terceiros ou comparação de resultados. A indicação depende da avaliação individual do paciente e deve levar em conta o estágio de crescimento e desenvolvimento.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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