O preço dos ovos voltou a recuar em diferentes mercados brasileiros na reta final de agosto, mas a média das cotações no mês ainda permanece acima do nível registrado em julho. O cenário foi apontado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que divulgou os dados nesta sexta-feira (28).
Segundo o levantamento, os valores mais elevados observados durante a primeira quinzena sustentaram a média mensal, mesmo diante das quedas verificadas nos últimos dias. O movimento ocorre em um mercado marcado por menor ritmo de vendas e pressão sobre os produtores.
A redução das cotações no fim do mês está associada principalmente ao enfraquecimento da demanda, comportamento considerado comum nesse período, quando o orçamento das famílias costuma ficar mais apertado antes da entrada dos salários.

Preços caem em importantes mercados produtores
Os dados mais recentes mostram recuos em diferentes praças acompanhadas pelo Cepea.
Na Grande São Paulo, em 26 de agosto, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos era negociada, em média, a R$ 129,63, enquanto a mesma quantidade de ovos vermelhos estava em R$ 140,76. As duas categorias registraram queda na comparação diária.
Em Bastos, um dos principais polos produtores do estado de São Paulo, os ovos brancos estavam cotados a R$ 123,25 por caixa, enquanto os vermelhos alcançavam R$ 133,97.
As cotações, entretanto, não representam necessariamente os valores encontrados em todo o país. Os preços podem variar conforme a região, a categoria do produto, a oferta disponível e as condições negociadas entre compradores e vendedores.
Consumidor reduz compras e pressiona mercado
A demanda mais fraca ganhou força principalmente na segunda metade de agosto. Com menor volume de vendas, os compradores passaram a negociar preços mais baixos, aumentando a pressão sobre as cotações recebidas pelos produtores.
A expectativa para os próximos dias é de pouca movimentação no mercado. Uma possível recuperação das vendas poderá ocorrer depois da virada do mês, quando parte dos consumidores recebe os salários e volta a organizar as compras domésticas.
O comportamento da demanda é um dos principais elementos para determinar o rumo dos preços. Em períodos de consumo mais aquecido, uma procura maior pode ajudar a sustentar ou recuperar as cotações. Quando as vendas diminuem, por outro lado, os produtores encontram mais dificuldade para escoar a produção.
Julho registrou forte desvalorização
O mercado de ovos já vinha enfrentando um período de preços pressionados. Em julho, a média parcial das cotações atingiu o menor nível real para o mês desde 2019 nas regiões monitoradas pelo Cepea.
A queda naquele período foi associada à combinação entre demanda enfraquecida e oferta interna elevada. Com dificuldades para comercializar toda a produção, granjas passaram a lidar com menor liquidez e aumento dos estoques.
Os valores mais baixos registrados em julho acabaram estabelecendo uma base de preços também reduzida para o início de agosto. Mesmo assim, a primeira metade do mês apresentou cotações mais firmes, o que explica a média mensal ainda superior à observada anteriormente.
A comparação histórica feita pelo Cepea considera os valores corrigidos pela inflação, utilizando o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI).
Exportações avançam, mas ainda estão abaixo de 2025
O mercado externo também influencia o equilíbrio entre oferta e demanda. Em julho, o Brasil embarcou 2,68 mil toneladas de ovos in natura e processados, volume 3,3% superior ao registrado no mês anterior.
Um dos destaques foram os produtos processados, que somaram 1,21 mil toneladas exportadas, alta de 122% em relação a junho.
Apesar do crescimento mensal, o resultado ainda ficou 49% abaixo do volume exportado em julho de 2025.
Isso significa que as exportações ajudam no escoamento da produção, mas ainda não são suficientes para retirar a pressão existente no mercado doméstico.











