Um levantamento da Scanntech aponta que o consumo de medicamentos à base de GLP-1, as chamadas “canetas emagrecedoras”, aumentou 244% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2025. Em meio a esse aumento da popularidade desses medicamentos, uma dúvida comum é se eles causam “vício” ou dependência, ainda mais por causa das várias notícias sobre pessoas que recuperam o peso perdido em pouquíssimo tempo após interromperem o tratamento.
De acordo com o Metrópoles, especialistas explicam que as canetas não causam dependência química no “sentido mais clássico”. Ou seja: não, você não vai ficar viciado no Ozempic da mesma forma que uma pessoa pode ficar viciada em cigarros ou álcool, porque esses medicamentos não atuam da mesma forma no sistema de recompensa do seu cérebro. Porém, dependendo da forma como você utiliza essas canetas, elas podem sim causar uma forma de dependência.
Muitos pacientes sentem uma dependência das canetas emagrecedoras
Entrevistada pelo Metrópoles, a cirurgiã bariátrica Stephanie Giulianne Silva Morelli, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), explica que, quando as canetas não fazem parte de um plano terapêutico mais amplo, pode surgir uma “relação psicológica ou comportamental”. Ela aponta que isso acontece quando o paciente começa a acreditar que não consegue controlar o seu peso sem a caneta, ficando com medo de terminar o tratamento ou até aumentando a dose do medicamento por conta própria.
A cirurgiã conta que muitos pacientes já chegaram a um peso adequado, mas continuam “obcecados” em perder mais e mais números na balança. Ela também explica que em muitos casos o paciente usa a caneta, mas não faz mudanças em hábitos, como o sono ou a prática de atividade física, então a caneta se torna ainda mais uma “dependência”.











