A cada cinco a sete anos (os intervalos não são regulares), as águas da porção equatorial do oceano Pacífico aquecem acima do normal, o fenômeno climático conhecido como El Niño. Mas e quando essas águas aquecem acima do normal até mesmo para os padrões do El Niño? É o que está acontecendo este ano, gerando preocupação entre especialistas de que o fenômeno deste ano pode ser o mais poderoso dos últimos 150 anos.
De acordo com o Olhar Digital, alertas da agência britânica de meteorologia, a Met Office, indicam que o aquecimento médio da superfície do Pacífico normalmente varia entre 1ºC e 2ºC. Porém, nos próximos meses, esse aquecimento deve passar dos 3ºC. Em comunicado, Adam Scaife, chefe de previsão de longo prazo do Met Office, declarou que nunca viu sinais de um El Niño “tão intenso” e que se trata de um “evento sem precedentes”.
“Esse [El Niño] de 2026 está com taxas de aumento de temperatura bem maiores do que os anteriores. Eu acho que isso chama a atenção para a palavra ‘Super’, porque nunca antes tivemos um valor crescendo de maneira tão rápida”, comentou a meteorologista Ana Cristina Palmeira, doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em participação no programa Olhar Espacial.
Como o fenômeno El Niño vai afetar o clima do Brasil?
O aquecimento das águas do Pacífico mexe com a circulação atmosférica, alterando o clima em várias partes do mundo, incluindo aqui no Brasil. Um dos efeitos do fenômeno em todo o país é o aumento das temperaturas. Segundo uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o país deve passar por pelo menos seis ondas de calor nos próximos meses.
Ps: o último El Niño, entre 2023 e 2024, causou nove ondas de calor no país.
O fenômeno climático também afeta bastante o regime de chuvas do país, causando estiagens prolongadas em algumas regiões, principalmente no Norte e no Nordeste, ao mesmo tempo em que causa chuvas excessivas em outras, como o Sul. O último El Niño causou chuvas e enchentes na região, por exemplo. A combinação de calor e seca no Norte e no Nordeste também aumenta o risco de queimadas.











