Um levantamento do Núcleo de Estudos Raciais do Insper aponta que o Pé-de-Meia pode gerar um retorno econômico de 184,6 bilhões de reais para o país. O valor é cerca de 15 vezes superior ao custo anual do programa, que atualmente é de 12 bilhões de reais. A estimativa considera os ganhos ao longo da vida dos jovens que concluírem o ensino médio graças ao incentivo financeiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância do programa como ferramenta de combate à evasão escolar e de redução das desigualdades. Segundo ele, cerca de 500 mil jovens das camadas mais vulneráveis deixavam a escola anualmente antes de concluir os estudos, muitas vezes para trabalhar e complementar a renda familiar. Essa realidade, segundo o presidente, tende a resultar em empregos precários e menor mobilidade social.
Estudo
O estudo, conduzido pelos economistas Daniel Duque e Michael França, utilizou como base 15,8 milhões de jovens de 15 a 24 anos elegíveis ao programa, identificados no Cadastro Único de 2024.
A partir da estimativa do impacto do Pé-de-Meia sobre a permanência escolar e a conclusão do ensino médio, os pesquisadores projetaram 372 mil conclusões adicionais. Desse total, 145,6 mil são de jovens de 15 a 19 anos, e 226,1 mil de jovens de 20 a 24 anos. O efeito entre os mais velhos é maior, pois o programa alcança aqueles que já haviam abandonado os estudos e retornaram.
O cálculo do benefício econômico por conclusão adicional utilizou como referência um estudo sobre os custos da não conclusão da educação básica, atualizado para 2025. Para cada jovem de 15 a 19 anos que conclui o ensino médio, o benefício estimado é de 537 mil reais; para os de 20 a 24 anos, o valor é de 470 mil reais. A soma total chega a 184,6 bilhões de reais.
Mesmo considerando apenas o aumento da renda do trabalho, sem incluir efeitos sobre produtividade, longevidade e qualidade de vida, o benefício estimado é de 74,3 bilhões de reais, o que corresponde a 6,2 vezes o custo anual do programa.











