De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardiovasculares, afecções do coração e da circulação, incluindo-se aí o infarto, são a principal causa de morte no Brasil. E um estudo recente revelou um dado preocupante: que as placas de gordura que contribuem para problemas do coração podem aparecer muito mais cedo do que imaginamos, antes mesmo dos 30 anos.
Essas placas de gordura se acumulam na parede das artérias, uma doença crônica chamada aterosclerose. Com o tempo, essse acúmulo pode romper o vaso, causando um infarto ou um AVC.
A pesquisa em questão foi apresentada no fim de agosto no Congresso Europeu de Cardiologia, em Munique, na Alemanha, e foi publicada na revista científica New England Journal of Medicine. O estudo avaliou mais de 16 mil pessoas entre 18 e 70 anos, todas sem histórico de infarto, AVC ou obstrução arterial, que passaram por exames de imagem detalhados.
Placas já começam a surgir antes dos 30 anos
Os pesquisadores encontraram placas de gordura até mesmo em participantes na faixa dos 18 aos 29 anos. Nessa faixa, 8,7% dos homens e 6,7% das mulheres já estavam com pelo menos uma artéria comprometida. Elzo Mattar, diretor do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e professor da Faculdade Estadual de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), explicou ao g1 que os números geraram muita preocupação porque não era esperado que essas placas começassem a surgir tão cedo.
Obviamente, com o passar dos anos, essas placas foram se tornando cada vez mais comuns entre os pacientes:
- 30 a 39 anos
- 34,6% dos homens e 21,3% das mulheres
- Por volta dos 40
- Cerca de metade dos homens e 30% das mulheres
- Entre 60 e 70 anos
- 1,9% dos homens e 8,1% das mulheres não tinham nenhuma placa detectável
Essas placas de gordura surgem por causa de uma combinação de herança genética e estilo de vida, segundo o cirurgião cardiovascular da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo Ricardo Kazunori. Fatores que contribuem para a doença são pressão alta, diabetes, obesidade, cigarro e até a poluição do ar, segundo o g1.











