O uso de inteligência artificial nas escolas acaba de enfrentar uma das maiores restrições já anunciadas nos Estados Unidos. A cidade de Nova York decidiu proibir estudantes da rede pública até o 8º ano de utilizar ferramentas de inteligência artificial, em uma política que deverá entrar em vigor na próxima semana e atingir aproximadamente 600 mil alunos.
A medida faz parte de uma ampla revisão das regras relacionadas à tecnologia no maior sistema público de ensino dos Estados Unidos, que atende cerca de 900 mil estudantes por ano. A decisão também prevê mudanças no uso de equipamentos eletrônicos em sala de aula, com a intenção de reduzir a exposição de crianças às telas durante os primeiros anos escolares.
A nova regra será aplicada aos estudantes até o 8º ano, normalmente com idade entre 13 e 14 anos. Já os alunos do Ensino Médio não estarão sujeitos à mesma proibição completa e poderão utilizar ferramentas de inteligência artificial em determinadas situações.
Os professores, por sua vez, continuarão autorizados a recorrer à tecnologia para atividades profissionais, incluindo planejamento de aulas e tarefas administrativas, como organização de horários.
Segundo a administração municipal, mais de 38 programas anteriormente autorizados terão seus recursos de inteligência artificial desativados ou interrompidos por não atenderem aos novos critérios de segurança e supervisão.
A política terá duração inicial de um ano, abrangendo quase dois terços de todos os estudantes matriculados na rede pública da cidade.

Medida busca preservar raciocínio dos estudantes
A justificativa para a mudança está relacionada principalmente aos possíveis efeitos do uso excessivo de inteligência artificial sobre o desenvolvimento intelectual e social das crianças.
Pais e professores vêm demonstrando preocupação com ferramentas educacionais baseadas em IA e com a possibilidade de estudantes transferirem para os sistemas tecnológicos tarefas que deveriam ser realizadas por eles mesmos. Pesquisadores utilizam o termo “rendição cognitiva” para descrever esse comportamento, no qual a pessoa deixa parte do processo de raciocínio sob responsabilidade do software.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmou que crianças precisam do contato humano proporcionado por professores e colegas para desenvolver habilidades, construir relacionamentos e enfrentar problemas difíceis sem depender diretamente de ferramentas tecnológicas.
A preocupação também envolve questões de saúde mental, desenvolvimento cognitivo e possíveis riscos associados à utilização de sistemas de inteligência artificial por crianças e adolescentes.
Nova York já havia restringido o ChatGPT
A relação entre a rede pública de Nova York e a inteligência artificial não é recente. Pouco depois do lançamento do ChatGPT, em 2022, as escolas da cidade chegaram a impor uma proibição temporária ao uso da ferramenta.
A restrição acabou sendo retirada posteriormente. Em seu lugar, foi adotado um assistente educacional desenvolvido com inteligência artificial, segundo informações da Microsoft, uma das empresas associadas à OpenAI, responsável pelo ChatGPT.
Agora, porém, a cidade optou por uma abordagem mais ampla, estabelecendo critérios próprios para determinar quais tecnologias poderão permanecer disponíveis aos estudantes.
Outras cidades também apertam as regras
Nova York não é a única região americana preocupada com os efeitos da tecnologia sobre os estudantes. O Los Angeles Unified School District, um dos maiores sistemas educacionais dos Estados Unidos, anunciou neste ano restrições importantes ao uso de telas em sala de aula.
O distrito também passou a limitar o acesso de estudantes a plataformas de inteligência artificial generativa enquanto avalia mecanismos de segurança para essas ferramentas.
A discussão ocorre ao mesmo tempo em que grandes empresas de tecnologia ampliam seus investimentos em soluções educacionais baseadas em IA e desenvolvem ferramentas específicas para aprendizagem. Companhias como Google, Anthropic e Microsoft estão entre as empresas que atuam no setor.











