Um simples bocejo pode provocar uma lesão capaz de deixar a mandíbula travada e causar dor intensa. A chamada luxação mandibular ocorre quando o côndilo da mandíbula se desloca para fora da fossa articular e fica preso à frente da eminência articular, fazendo com que a pessoa não consiga fechar a boca por conta própria. Embora possa surgir após um movimento cotidiano, o problema está relacionado a diferentes fatores que aumentam a mobilidade da articulação temporomandibular (ATM).
A luxação pode ocorrer de forma espontânea, após um trauma ou durante situações que exigem uma abertura muito ampla da boca, como uma entubação orofaríngea. Pessoas com maior frouxidão dos ligamentos e da cápsula articular estão entre as mais suscetíveis ao deslocamento.
Um caso recente em Brasília chamou atenção justamente pela relação entre um bocejo e a luxação da mandíbula. Um jovem precisou procurar atendimento hospitalar às pressas depois que a articulação se deslocou durante o movimento.
O episódio foi divulgado pelo irmão do rapaz nas redes sociais na última sexta-feira (28). Segundo o relato da família, o jovem foi levado inicialmente a um hospital próximo, onde recebeu atendimento de emergência e passou por exames.
Como a unidade não tinha o especialista necessário para conduzir o caso, foi preciso realizar a transferência do paciente de ambulância para o Hospital de Base de Brasília. No local, a mandíbula foi recolocada na posição correta.
O que acontece com a mandíbula durante a luxação
A luxação da ATM acontece quando as superfícies articulares da mandíbula e do osso temporal perdem parcial ou totalmente o contato normal. O movimento exagerado leva o côndilo para fora da fossa mandibular, de onde ele não consegue retornar espontaneamente.
Depois do deslocamento, o espasmo dos músculos responsáveis pela mastigação contribui para manter a mandíbula presa na posição inadequada. O problema pode atingir um ou os dois lados, sendo a luxação bilateral mais comum.
O côndilo também pode se deslocar em diferentes direções, incluindo para frente, para trás, para o lado ou para cima. Na prática, o paciente costuma apresentar dificuldade ou incapacidade de fechar a boca, além de dor e alterações que interferem diretamente na mastigação, na fala e na deglutição.
Algumas pessoas relatam ainda a sensação de que a mandíbula “salta” quando a boca é aberta de maneira ampla. Um estalido característico também pode acompanhar o episódio.
Nos casos unilaterais, o queixo tende a ficar desviado para o lado contrário ao da luxação. A linha média da mandíbula também pode sofrer alteração, enquanto a bochecha fica mais achatada no lado afetado e apresenta aspecto côncavo no lado oposto.
Frouxidão e hipermobilidade podem favorecer o problema
A ocorrência da luxação não está necessariamente ligada apenas ao movimento que desencadeou o episódio. Diversos fatores podem contribuir para que a mandíbula se desloque, especialmente nos casos recorrentes.
Entre os possíveis fatores estão alterações anatômicas, hábitos parafuncionais, frouxidão dos ligamentos e hipermobilidade articular generalizada. Traumas também representam uma causa importante para a luxação da ATM.
Há ainda situações menos frequentes ou episódicas, como distúrbios oclusais, alterações associadas a doenças sistêmicas e reações provocadas por determinados medicamentos. Neurolépticos e antieméticos estão entre os medicamentos citados como possíveis fatores relacionados.
Dessa forma, um bocejo pode funcionar como o gatilho de um deslocamento em uma articulação que já apresenta características favoráveis à luxação.
Diagnóstico pode ser confirmado por exames
A identificação da luxação pode ser feita a partir do histórico relatado pelo paciente, da observação da mandíbula e do exame físico. Exames de imagem também podem ser utilizados para confirmar o deslocamento.
Quando existe histórico de trauma externo, a investigação é especialmente importante para verificar a possibilidade de fraturas nos ossos da face. Nesses casos, podem ser realizadas radiografias ou tomografia computadorizada.
A avaliação permite diferenciar uma luxação isolada de situações em que existem outras lesões associadas e ajuda a definir a melhor estratégia de tratamento.
Reposição deve ser feita o quanto antes
A luxação da ATM precisa ser reduzida o mais rapidamente possível. O reposicionamento pode envolver manobras manuais, mas a complexidade do caso determina se será necessária a atuação de um especialista.
O tratamento pode variar de medidas conservadoras a procedimentos cirúrgicos. Entre as opções conservadoras estão dispositivos que limitam os movimentos da mandíbula, relaxantes musculares e injeções esclerosantes, além de outras abordagens menos utilizadas.
Em muitos casos, as medidas conservadoras têm como objetivo controlar os sintomas ou reduzir temporariamente os episódios. Quando o deslocamento permanece por muito tempo ou passa a ocorrer de maneira recorrente, a cirurgia pode ser considerada uma alternativa mais definitiva.











