Brasileiros que chegam aos serviços de urgência e emergência com suspeita de infarto ou AVC isquêmico poderão contar com uma nova estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) para ampliar o acesso aos medicamentos capazes de desobstruir vasos sanguíneos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira (2) uma lei que amplia a oferta de medicamentos trombolíticos na rede pública e determinou novas medidas para melhorar o atendimento desses pacientes.
A sanção ocorreu durante cerimônia no Palácio do Planalto. Na ocasião, Lula voltou a defender que investimentos em saúde devem ser tratados como prioridade e afirmou que “saúde não é gasto”. O presidente também agradeceu ao Congresso Nacional pela aprovação da proposta e destacou que avanços na área podem superar divergências ideológicas.
Durante a cerimônia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou uma portaria que criou o Comitê de Acompanhamento da Implementação das Linhas de Cuidado dos Agravos Cerebrovasculares e Cardiovasculares Tempo-Dependentes, voltado aos casos de AVC e Infarto Agudo do Miocárdio (IAM).
O grupo terá a responsabilidade de avaliar a implementação das novas medidas e propor ações para ampliar a disponibilidade dos trombolíticos, além de melhorar a assistência oferecida aos pacientes que chegam à rede de urgência e emergência.
A intenção é reduzir o intervalo entre os primeiros sinais da doença, o diagnóstico, o início do tratamento e a transferência para uma unidade de referência.
“Nos casos de infarto e AVC, cada minuto conta”, afirmou Padilha. Segundo o ministro, o trabalho envolverá especialistas, estados e municípios para tornar mais rápida toda a jornada do paciente. A avaliação do governo é que a redução desse tempo pode aumentar as chances de sobrevivência e diminuir a possibilidade de sequelas.
Trombolíticos já são previstos pelo SUS
Os protocolos do SUS já estabelecem a utilização de medicamentos trombolíticos em serviços de urgência e emergência, inclusive nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A principal questão que a nova iniciativa pretende enfrentar está relacionada à disponibilidade desses medicamentos.
Atualmente, a aquisição dos trombolíticos é feita pelos gestores locais. Com o novo comitê, o Ministério da Saúde pretende estudar formas de aperfeiçoar esse processo e ampliar a presença dos medicamentos na rede pública.
Os trombolíticos são utilizados, mediante avaliação médica, em situações de Infarto Agudo do Miocárdio e de AVC isquêmico. Os remédios atuam sobre os trombos, estruturas que podem bloquear a passagem do sangue pelos vasos, ajudando a restabelecer a circulação.
O tratamento, porém, depende de avaliação clínica e do tipo de ocorrência. Nem todos os pacientes com suspeita de infarto ou AVC podem receber trombolíticos, já que existem critérios médicos para determinar quando a terapia é indicada.
Brasil registra centenas de milhares de casos
A medida ganha relevância diante da quantidade de casos registrados no país. O Brasil contabiliza entre 300 mil e 400 mil infartos por ano, segundo os dados apresentados pelo governo.
No caso do AVC, o SUS registrou 292 mil atendimentos durante 2025. Desse total, 218 mil foram relacionados ao AVC isquêmico, tipo em que um coágulo ou outra obstrução impede a circulação adequada do sangue em uma região do cérebro.
É justamente nesse cenário que a rapidez do atendimento pode ter impacto significativo. Quanto mais tempo uma região do coração ou do cérebro permanece sem receber sangue adequadamente, maior pode ser o risco de danos permanentes.
Lei busca reduzir tempo até o tratamento
A nova legislação não representa apenas uma mudança na existência dos medicamentos, já que os trombolíticos já fazem parte dos protocolos de atendimento do SUS. O objetivo central é criar condições para que eles estejam mais disponíveis quando forem necessários e para que o paciente percorra mais rapidamente as diferentes etapas do atendimento.
Com o comitê recém-criado, o Ministério da Saúde deverá acompanhar a implementação das linhas de cuidado e propor medidas para aperfeiçoar a assistência nos estados e municípios.
Na prática, a iniciativa pretende atacar um dos principais fatores envolvidos no tratamento de AVC e infarto: o tempo.











