O sono muda com o avanço da idade, e acordar cada vez mais cedo pode fazer parte desse processo. Para pessoas com mais de 60 anos, entretanto, observar a qualidade e a duração do descanso ganhou ainda mais importância diante do impacto que o sono pode ter sobre a saúde do cérebro. No Brasil, cerca de 8,5% da população com 60 anos ou mais vive com demência, aproximadamente 2,7 milhões de pessoas, e a estimativa do Ministério da Saúde é que esse número chegue a 5,6 milhões até 2050.
De acordo com o Relatório Nacional sobre a Demência, cerca de 45% dos casos poderiam ser prevenidos ou retardados com o controle de fatores de risco modificáveis, como hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo, depressão, perda auditiva, sedentarismo e isolamento social. Nesse contexto, hábitos relacionados ao sono também fazem parte dos cuidados que podem contribuir para preservar o funcionamento cerebral.
O envelhecimento costuma alterar o chamado ritmo circadiano, o mecanismo interno responsável por organizar períodos de sono e vigília. Com o passar dos anos, é comum que a pessoa sinta sono mais cedo durante a noite e, consequentemente, desperte também mais cedo pela manhã.
A questão principal é saber se o período total de descanso continua adequado. Para pessoas com 65 anos ou mais, a National Sleep Foundation recomenda aproximadamente sete a oito horas de sono por noite. Assim, quem dorme cedo e acorda às 3h pode estar dentro de uma rotina saudável se tiver conseguido completar a quantidade necessária de horas.
Sono fica mais leve depois dos 60
As transformações no descanso não se resumem ao horário de acordar. Pessoas mais velhas tendem a apresentar um sono menos profundo e podem ter mais dificuldade tanto para adormecer quanto para permanecer dormindo.
Entre as mudanças mais comuns estão:
- sono mais leve;
- vários despertares durante a noite;
- horário de dormir antecipado;
- despertar mais cedo;
- cochilos durante o dia.
A redução da produção de melatonina, hormônio envolvido na regulação do sono, também pode contribuir para a dificuldade de manter um descanso contínuo.
Doenças e medicamentos também podem interferir
Problemas de saúde comuns na terceira idade podem prejudicar o sono. Dores provocadas por artrite, alterações relacionadas ao diabetes, doenças cardíacas e dificuldades respiratórias são alguns exemplos.
A necessidade de levantar durante a madrugada para ir ao banheiro também pode interromper repetidamente o descanso. Além disso, determinados medicamentos utilizados no tratamento de doenças crônicas podem provocar insônia ou aumentar a sonolência durante o dia.
A redução da atividade física é outro fator que pode interferir na qualidade do sono. Quando o idoso passa grande parte do dia parado, pode haver menos necessidade fisiológica de descanso durante a noite.
Aspectos emocionais também entram nessa equação. Solidão, ansiedade, estresse, aposentadoria e a perda de pessoas próximas podem modificar a rotina e dificultar o sono.
Quando o sono deve virar motivo de preocupação
Embora algumas alterações sejam esperadas com a idade, determinados sinais não devem ser tratados simplesmente como consequência natural do envelhecimento.
Dificuldade frequente para dormir, cansaço intenso durante o dia, ronco alto, alterações de humor, problemas de memória e dificuldade de concentração podem indicar que existe alguma condição interferindo no descanso.
Distúrbios como a apneia do sono e a insônia crônica podem comprometer a qualidade do repouso e precisam ser avaliados por profissionais de saúde. A investigação também é importante quando mudanças no sono aparecem junto com alterações cognitivas ou comportamentais.
Hábitos simples podem melhorar a qualidade do descanso
A adoção de uma rotina regular pode ajudar a organizar o ciclo de sono. Manter horários semelhantes para dormir e acordar todos os dias é uma das estratégias recomendadas para favorecer o funcionamento do relógio biológico.
A prática de atividades físicas também pode contribuir para um sono melhor. Caminhadas, alongamentos e exercícios adequados às condições de cada pessoa podem ajudar o organismo a estabelecer uma rotina mais equilibrada.
Cochilos durante o dia não precisam ser eliminados, mas períodos muito longos podem dificultar o sono noturno. Da mesma forma, consumir café, chá ou outras bebidas com cafeína próximo ao horário de dormir pode atrapalhar o descanso.
O ambiente também faz diferença. Um quarto silencioso, escuro e confortável favorece a higiene do sono.
Outra medida simples é buscar exposição à luz natural pela manhã e durante o dia. A luminosidade ajuda a sincronizar o ritmo circadiano e pode contribuir para que o organismo reconheça melhor os períodos destinados à vigília e ao descanso.











