O mercado automotivo brasileiro atravessa um momento de forte expansão, com investimentos elevados, aumento da oferta de veículos eletrificados e crescimento expressivo nos emplacamentos. Mas, para quem pretende comprar um carro pensando também no valor de revenda, os números trazem um alerta: alguns modelos podem representar uma perda significativa de dinheiro ao longo dos anos.
Um levantamento baseado em cerca de 600 mil veículos anunciados no Brasil identificou quais modelos mais sofreram desvalorização. A análise considera um automóvel com três anos de uso e 60 mil quilômetros rodados e compara seu preço anunciado com o valor da mesma versão zero-quilômetro.
Entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026, o Porsche Panamera apareceu na primeira colocação entre os carros que mais perderam valor no País. O levantamento também revelou uma característica marcante: os oito modelos com maior depreciação pertencem ao segmento premium.
SUVs da Land Rover aparecem entre os maiores perdedores
Na segunda posição do ranking está o Land Rover Discovery, que acumulou depreciação de 28,8% dentro da metodologia utilizada. Logo depois aparece o Discovery Sport, com perda de 23,6% do valor.
A presença dos dois SUVs da marca britânica entre os primeiros colocados mostra que o preço elevado de compra não significa necessariamente maior capacidade de preservar valor no mercado de usados. Pelo contrário, veículos premium podem sofrer quedas mais expressivas quando comparados com suas versões novas.
O resultado é especialmente relevante para consumidores que analisam apenas o preço de aquisição. Um carro que parece vantajoso no momento da compra pode gerar uma perda considerável quando chega a hora de revendê-lo.
Mercado de carros cresce em 2026
Enquanto determinados modelos enfrentam forte desvalorização, o mercado brasileiro de veículos leves apresenta um cenário bastante positivo nas vendas.
Em agosto de 2026, foram registrados 262.052 emplacamentos de veículos leves, segundo dados da Bright Consulting. O resultado representa crescimento de 22% em comparação com agosto do ano anterior, quando foram comercializadas 214.769 unidades.
No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, o setor chegou a 1.883.332 veículos vendidos. O número representa avanço de 19,3% em relação ao mesmo período de 2025.
A expansão ocorre em um cenário de maior oferta de modelos e investimentos realizados pela indústria automotiva, especialmente no segmento de novas tecnologias de propulsão.
Eletrificados batem recorde no Brasil
Os veículos eletrificados também ganharam espaço de maneira acelerada. Modelos híbridos convencionais (HEV), híbridos leves (MHEV), híbridos plug-in (PHEV) e elétricos a bateria (BEV) somaram 63.709 emplacamentos somente em agosto.
O volume representa um novo recorde histórico e corresponde a 24,3% de todas as vendas de veículos leves no mês.
No acumulado de janeiro a agosto, os eletrificados chegaram a aproximadamente 367.500 unidades comercializadas. Em relação ao mesmo período de 2025, o crescimento foi de 134%.
A evolução indica uma mudança importante no perfil do mercado brasileiro, com veículos eletrificados ocupando uma parcela cada vez maior das vendas.
Crédito para veículos entra no radar
Apesar do desempenho positivo nas vendas, o cenário econômico apresenta pontos de atenção para os próximos meses. A inadimplência nos financiamentos de veículos alcançou 6,5% em maio, segundo os dados utilizados no levantamento.
O aumento pode levar instituições financeiras a adotar maior cautela na concessão de crédito, o que teria potencial para dificultar o financiamento de veículos para parte dos consumidores.
Ao mesmo tempo, a inflação acumulada de 4,64% no primeiro semestre pressiona o orçamento das famílias e aumenta os custos enfrentados pela indústria.











