O Brasil deu um passo que pode fortalecer a cadeia nacional de produção de veículos elétricos e outros produtos de alta tecnologia. O Senado aprovou na última quarta-feira (2) o Projeto de Lei 2.780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e prevê até R$ 7 bilhões em incentivos governamentais para projetos ligados à pesquisa, extração, beneficiamento e transformação dessas matérias-primas.
A proposta segue agora para sanção presidencial. Como os senadores fizeram apenas ajustes de redação no texto, não há necessidade de uma nova análise pela Câmara dos Deputados.
A medida coloca no centro da discussão minerais como lítio, grafite, níquel e as chamadas terras raras, que são utilizados em componentes essenciais de tecnologias modernas. No caso dos carros elétricos, essas matérias-primas estão diretamente relacionadas à fabricação de baterias e outros sistemas.
O objetivo do projeto, porém, não é apenas aumentar a quantidade de minerais retirados do solo brasileiro. A intenção é estimular uma cadeia produtiva mais completa dentro do próprio país, fazendo com que uma parcela maior do processamento e da transformação da matéria-prima ocorra em território nacional.
Brasil tem grande potencial mineral
Apesar de possuir mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, o Brasil ainda tem apenas cerca de 30% de seu território mapeado do ponto de vista geológico.
A busca por novas ocorrências minerais envolve tecnologias capazes de identificar o que existe abaixo da superfície. Em algumas áreas, aviões equipados com sensores sobrevoam o território e emitem ondas para detectar características associadas à presença de minerais.
O avanço das pesquisas também pode ser percebido no interesse crescente pelas terras raras. Nos últimos dois anos, a Agência Nacional de Mineração liberou quase 2 mil pedidos de pesquisa relacionados a esses elementos no país.
As terras raras têm importância estratégica para diferentes setores da economia. Além dos carros elétricos e celulares, são empregadas na fabricação de robôs, turbinas eólicas e equipamentos hospitalares.
Projeto tenta levar mineração para uma etapa de maior valor
Encontrar uma reserva mineral é apenas o começo do processo. Um dos principais desafios brasileiros está justamente em transformar o material extraído em produtos de maior valor agregado.
É nessa etapa que minerais retirados do solo podem se transformar em componentes de baterias, ímãs, equipamentos eletrônicos e outras tecnologias.
Atualmente, o país possui grande potencial de recursos minerais, mas ainda precisa ampliar sua capacidade de industrialização e beneficiamento. A proposta aprovada pelo Congresso busca justamente criar condições para que uma parcela maior dessa cadeia permaneça no Brasil.
Na prática, a intenção é evitar que o país fique restrito à posição de fornecedor de matéria-prima enquanto outras nações concentram as etapas mais sofisticadas e lucrativas da produção.
Pesquisa ainda é um dos principais obstáculos
Antes de chegar à industrialização em larga escala, entretanto, existe uma etapa considerada fundamental: descobrir como separar e processar os minerais encontrados de maneira eficiente.
Os elementos de interesse normalmente não aparecem isolados na natureza. Eles estão misturados a outros materiais, o que torna necessário desenvolver métodos capazes de separá-los.
No caso das terras raras, por exemplo, a identificação de uma ocorrência não significa que sua exploração comercial seja automaticamente viável. É necessário encontrar técnicas de extração que apresentem eficiência e, ao mesmo tempo, custos compatíveis com a atividade industrial.
Esse é um dos obstáculos que o Brasil ainda precisa superar para transformar seu potencial geológico em uma cadeia produtiva competitiva.
Minerais críticos podem influenciar o futuro dos carros elétricos
A importância dessas matérias-primas cresce à medida que veículos eletrificados ganham espaço no mercado mundial. Baterias e outros componentes utilizados nos carros elétricos dependem de uma cadeia internacional de fornecimento de minerais estratégicos.
Uma produção nacional mais estruturada poderia reduzir parte da dependência externa e criar novas oportunidades para a indústria brasileira, desde a pesquisa mineral até a fabricação de componentes tecnológicos.
Os impactos potenciais também ultrapassam o setor automotivo. As terras raras são importantes para diferentes tecnologias presentes no cotidiano e na indústria.
Robôs, celulares, equipamentos hospitalares, turbinas utilizadas na geração de energia eólica e sistemas empregados em veículos elétricos dependem, em diferentes aplicações, desses elementos.











