O mercado de trabalho deve passar por uma transformação significativa ao longo da próxima década, com algumas áreas registrando forte expansão enquanto outras podem perder espaço. Projeções do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos (BLS) para o período entre 2025 e 2035 mostram que o crescimento geral do emprego será mais moderado, mas setores específicos devem concentrar grande parte das novas oportunidades.
Segundo o levantamento, o número total de empregos nos Estados Unidos deve aumentar em 5,9 milhões, passando para aproximadamente 176,2 milhões de postos até 2035. O avanço de 3,5% será bem inferior ao crescimento de 10,9% registrado na década anterior.
Entre os segmentos com maior expansão absoluta está o setor de saúde e assistência social. A previsão é de aproximadamente 2,2 milhões de novos empregos na área durante a próxima década.
O crescimento estimado é de 9,5%, fazendo com que o segmento responda por cerca de 37% de todas as novas vagas projetadas até 2035.
Dentro desse universo, os serviços destinados a idosos e pessoas com deficiência aparecem entre os que mais devem ampliar a contratação. A projeção indica aproximadamente 625,4 mil novos empregos nesse segmento.
Energia solar aparece entre as áreas que mais crescem
Embora o setor de saúde seja o grande destaque em quantidade de novos postos, algumas atividades apresentam taxas de crescimento proporcional muito superiores.
A geração de energia elétrica solar aparece no topo da projeção de crescimento percentual. O BLS estima uma expansão de aproximadamente 153% no emprego entre 2025 e 2035.
Apesar da taxa impressionante, o número absoluto de novas vagas é relativamente pequeno diante dos grandes setores da economia. A estimativa representa cerca de 26 mil empregos adicionais.
A geração de energia eólica também deve apresentar crescimento expressivo, com previsão de alta de aproximadamente 62% no número de postos.
Já a geração de energia geotérmica deve avançar quase 32%, o equivalente a aproximadamente 300 novos empregos. Nesse caso, o crescimento percentual é elevado, mas parte de uma base pequena.
No conjunto das concessionárias de serviços públicos, a expansão das atividades relacionadas à energia deve representar aproximadamente 58,8 mil novos postos.
Envelhecimento da população muda o perfil das contratações
A demanda por trabalhadores especializados em assistência tende a ganhar importância à medida que aumenta a quantidade de pessoas idosas que precisam de cuidados.
O segmento de serviços para idosos e pessoas com deficiência lidera justamente entre as atividades com maior crescimento absoluto. A projeção de mais de 625 mil vagas mostra que a expansão não depende apenas de novas tecnologias, mas também de necessidades humanas que continuam exigindo presença profissional.
Esse movimento ajuda a explicar por que a área da saúde aparece simultaneamente entre os setores que mais crescem em percentual e em quantidade de empregos.
Mesmo dentro de um setor em expansão, porém, os resultados não serão uniformes. O BLS prevê, por exemplo, uma redução de aproximadamente 44,7 mil postos em instituições de enfermagem.
Algumas profissões podem perder espaço para a tecnologia
O mesmo levantamento também aponta setores que devem enfrentar redução no número de empregos.
A fabricação de roupas empregava aproximadamente 79 mil pessoas em 2025 e pode chegar a cerca de 49,2 mil em 2035. Isso representaria uma redução próxima de 30 mil postos, ou quase 38%.
Outro segmento que deve encolher é o de impressão e atividades relacionadas, com previsão de perda de aproximadamente 58,3 mil empregos, uma queda de cerca de 17%.
As mudanças, entretanto, não significam necessariamente que todos os trabalhadores dessas áreas ficarão desempregados. Parte da força de trabalho pode migrar para outros setores ou ocupar funções diferentes à medida que a estrutura da economia se transforma.
Inteligência artificial ameaça funções administrativas
Um dos alertas mais importantes do relatório está relacionado às ocupações de apoio administrativo e de escritório.
De acordo com o BLS, esse grupo pode ser um dos mais afetados pela crescente adoção da inteligência artificial. A projeção indica uma redução de aproximadamente 752,1 mil empregos ao longo dos próximos dez anos.
A transformação não significa que todas as atividades administrativas desaparecerão. Funções repetitivas, baseadas em processamento de informações e tarefas padronizadas, porém, tendem a ser mais suscetíveis à automação e à utilização de sistemas de inteligência artificial.
Isso coloca profissionais dessas áreas diante da necessidade de adaptação, principalmente por meio do desenvolvimento de competências que complementem as novas ferramentas tecnológicas.











