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Doença que afeta o cérebro pode começar a dar sinais mais de 7 anos antes dos médicos conseguirem encontrá-la nos exames

Por Pedro Silvini
08/09/2026
Em Geral
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cerebro envelhecimento

Foto: (Reprodução/Shutterstock)

A doença de Alzheimer pode começar a provocar mudanças no cérebro muito antes de os exames atualmente utilizados pelos médicos conseguirem identificar seus sinais mais conhecidos. É o que indica um novo estudo que encontrou alterações estruturais cerebrais pelo menos sete anos antes de as placas de beta-amiloide se tornarem visíveis em exames de PET, considerado um dos principais métodos de imagem utilizados para investigar os estágios iniciais da doença.

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A descoberta pode ajudar a compreender melhor como o Alzheimer se desenvolve e, no futuro, contribuir para estratégias capazes de identificar a doença antes do aparecimento dos sintomas mais evidentes. Os pesquisadores, porém, ressaltam que os resultados ainda não significam que alterações estruturais isoladas possam ser usadas como diagnóstico.

A pesquisa acompanhou pessoas consideradas saudáveis durante quase duas décadas, utilizando exames de ressonância magnética (MRI) realizados periodicamente.

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Com esse acompanhamento prolongado, os pesquisadores conseguiram determinar aproximadamente quando as placas se tornaram detectáveis em cada participante. Em seguida, voltaram aos exames anteriores para procurar diferenças nas estruturas cerebrais daqueles que posteriormente apresentaram sinais de acúmulo de placas.

O resultado chamou atenção porque mudanças na estrutura do cérebro já estavam presentes muitos anos antes da identificação das placas nos exames PET.

Estudo pode abrir caminho para diagnóstico mais precoce

Anders Martin Fjell, professor do Departamento de Psicologia da Universidade de Oslo e responsável pelo centro de pesquisa envolvido no estudo, classificou como um dos principais resultados a identificação dessas alterações estruturais antes dos primeiros sinais de formação de placas.

A possibilidade é importante porque o Alzheimer não começa necessariamente no momento em que a pessoa apresenta perda de memória perceptível. O processo biológico pode se desenvolver durante anos antes de comprometer de maneira clara as atividades cotidianas.

O estudo sugere, portanto, que o cérebro pode apresentar sinais mensuráveis de alteração antes que o método tradicional de identificação das placas consiga detectá-los.

Ainda assim, são necessárias novas pesquisas para determinar exatamente o que essas mudanças significam individualmente e se elas poderão, algum dia, ser utilizadas como uma ferramenta clínica para prever quem desenvolverá a doença.

Perda de memória não deve ser simplesmente atribuída à idade

Alterações na memória podem ocorrer naturalmente com o envelhecimento. Esquecer ocasionalmente um nome ou ter dificuldade momentânea para lembrar determinada informação, por exemplo, não significa necessariamente que exista uma doença neurodegenerativa.

A situação é diferente quando os problemas começam a interferir na rotina e na capacidade de realizar tarefas que antes eram habituais.

Em alguns casos, a própria pessoa percebe primeiro que algo mudou. Em outros, familiares e amigos são os primeiros a notar alterações no comportamento ou na memória.

Estes sinais merecem atenção

Alguns comportamentos podem indicar que é necessário procurar avaliação médica. Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Perda de memória que interfere na vida cotidiana;
  • Dificuldade para planejar ou resolver problemas;
  • Problemas para realizar tarefas familiares em casa, no trabalho ou durante o lazer;
  • Confusão em relação a datas, horários ou lugares;
  • Dificuldade para compreender imagens ou relações espaciais;
  • Novos problemas para falar ou escrever;
  • Perder objetos e não conseguir refazer os próprios passos para encontrá-los;
  • Redução da capacidade de julgamento;
  • Afastamento de atividades profissionais ou sociais;
  • Mudanças de humor ou personalidade.

A presença de um ou mais desses sinais não significa, por si só, que a pessoa tenha Alzheimer. Eles podem estar relacionados a diferentes condições e precisam ser investigados.

Alzheimer representa um desafio crescente

A importância da detecção precoce também está relacionada ao crescimento da demência no mundo. Estimativas apontam que mais de 55 milhões de pessoas viviam com algum tipo de demência em 2020.

A projeção é de aproximadamente 78 milhões de pessoas em 2030 e 139 milhões em 2050. O crescimento deverá ser especialmente forte em países de baixa e média renda, onde já vivem cerca de 60% das pessoas com demência. A proporção pode chegar a 71% até 2050.

O envelhecimento da população, principalmente em países como China e Índia e em outras nações do sul da Ásia e do Pacífico Ocidental, está entre os fatores que tornam o diagnóstico e o acompanhamento das doenças neurodegenerativas um desafio cada vez maior.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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