No início deste ano, cientistas fizeram uma descoberta que bagunçou o mundo da arqueologia. No sul da Grécia, no sítio arqueológico Marathousa 1, pesquisadores encontraram o que pode ser a ferramenta portátil de madeira mais antiga já identificada, de acordo com a revista Galileu. O objeto em questão era uma vara de madeira afiada, com cerca de 81 centímetros de comprimento.
O local onde a ferramenta foi encontra costumava ser a margem lamacenta de um lago, onde elefantes, tartarugas, aves, hipopótamos e outros grandes predadores circulavam. Os pesquisadores especulam que a ferramenta encontrada estivesse sendo usada para esquartejar um elefante de presas retas, quando alguém talvez deixado ela cair.
Essa descoberta foi descrita em um artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Um ponto em especial que chamou a atenção é que é raro vermos evidências diretas de tecnologia feita de materiais orgânicos. A paleoantropóloga Katerina Harvati, pesquisadora da Universidade de Tübingen e líder do estudo, comentou com a revista Science que é mais difícil diferenciar um galho de um ferramenta de madeira do que uma lasca de pedra.
E talvez você tenha lido isso e pensado: “ok, mas então como eles sabem que era uma ferramenta, e não um galho qualquer esquecido?”.
Como os cientistas descobriram que realmente era uma ferramenta?
Segundo a Galileu, análises microscópicas e tomografias computadorizadas mostraram que a vara foi modificada, teve galhos removidos, sua casca raspada e sua ponta afiada com lâminas de pedras. Entre 144 fragmentos de madeira encontrados no sítio arqueológico, apenas dois tinham essas marcas de trabalho humano.
Além da vara mais longa, os arqueólogos também encontraram um pequeno artefato de menos de oito centímetros de salgueiro. A ferramenta foi encontrada misturada aos ossos do elefante morto, perto de instrumentos de pedra usados para destrinchar animais, sugerindo que a madeira era usada para cavar, raspar carne ou até para afastar outros predadores.











