Um novo golpe virtual está usando o nome de um benefício social que realmente existiu para tentar enganar brasileiros. Criminosos passaram a divulgar o suposto “Auxílio Reconstrução 2026”, com promessa de pagamento de R$ 1.050, mas o benefício não existe.
A fraude foi identificada pela empresa de cibersegurança Kaspersky, que encontrou três sites fraudulentos criados para simular uma página oficial do governo. As plataformas utilizam elementos visuais semelhantes aos de canais institucionais para transmitir uma aparência de legitimidade e induzir o usuário a fornecer informações pessoais.
O caso também motivou um alerta do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que reforçou que não há um novo Auxílio Reconstrução no valor de R$ 1.050.
A estratégia dos criminosos se apoia em uma informação real para tornar a história mais convincente. O Auxílio Reconstrução foi criado em 2024 pelo governo federal para ajudar famílias atingidas pelas fortes enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul.
Na ocasião, o benefício foi de R$ 5.100, pago em parcela única. O dinheiro foi destinado a famílias que viviam em áreas efetivamente atingidas por inundações, enxurradas ou deslizamentos.
O programa contemplou moradores de 444 municípios gaúchos que tiveram situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecida pelo Governo Federal até 7 de junho de 2024.
É justamente a existência desse programa que ajuda a dar credibilidade à fraude atual. Ao acrescentar o ano de 2026 e um novo valor, os golpistas criam a impressão de que o governo teria lançado uma nova edição do benefício.
Compartilhamento vira parte da fraude
Depois de acessar uma das páginas falsas, a vítima é levada a fornecer dados pessoais para supostamente verificar se teria direito ao pagamento.
O esquema, porém, não termina nessa etapa. Para continuar o processo e supostamente liberar o benefício, o usuário é instruído a compartilhar o link com diversos contatos e grupos.
A exigência tem uma função importante para os criminosos: transformar cada pessoa enganada em um potencial distribuidor da fraude.
Quanto mais usuários compartilham a mensagem, maior é o alcance das páginas falsas. A aparência de que o conteúdo está sendo divulgado por amigos, familiares ou conhecidos também pode aumentar a confiança de quem recebe o link.
Mesmo depois de cumprir todas as etapas, entretanto, a vítima não recebe os R$ 1.050 prometidos.
Vítima pode ser direcionada para apostas e aplicativos
A investigação identificou que, após a interação com o falso benefício, os usuários podem ser redirecionados automaticamente para outros tipos de páginas.
Entre os destinos encontrados estão plataformas ilegais de apostas, incluindo sites associados ao chamado “jogo do Tigrinho”, além de páginas que solicitam a instalação de aplicativos.
Nesse segundo modelo, os criminosos podem ganhar dinheiro por meio de programas de comissão. A cada aplicativo baixado pela vítima, os responsáveis pelo esquema podem receber uma remuneração.
A lógica também aparece nos sites de apostas, que podem utilizar programas de afiliados para remunerar quem leva novos usuários às plataformas.
Segundo a análise realizada pelos especialistas, o destino do redirecionamento pode variar. Em determinado teste, por exemplo, as vítimas eram encaminhadas para páginas de apostas, mas os criminosos podem alterar posteriormente o caminho utilizado.
Golpe pode mudar de estratégia
Outro ponto identificado na investigação é que a fraude não necessariamente permanece vinculada aos mesmos sites. Os criminosos podem modificar tanto os endereços utilizados quanto o destino final dos usuários.
Isso significa que, em determinadas situações, a vítima pode ser encaminhada para páginas criadas para roubar senhas, dados bancários ou informações de cartões, além de ambientes que incentivam o download de aplicativos maliciosos.
Também foi observado que o funcionamento do esquema estava direcionado a endereços de IP brasileiros. Acessos realizados de fora do Brasil não completavam o processo da mesma maneira.











