O que começou como uma tentativa de encontrar uma fonte de renda após uma mudança de Florianópolis para São Paulo acabou se transformando em um negócio que alcançou faturamento de até R$ 100 mil por mês. Edu Santana e Will Souza encontraram nos terrários — pequenos ecossistemas montados em recipientes de vidro — uma oportunidade para transformar um hobby artesanal em uma empresa com identidade própria.
A grande virada veio quando os clientes passaram a solicitar representações de orixás dentro das peças. Em vez de enxergar a demanda apenas como mais uma possibilidade de personalização, o casal percebeu que havia ali um nicho capaz de unir natureza, arte e elementos simbólicos.
O investimento inicial foi de apenas R$ 450, segundo as informações sobre a trajetória do empreendimento. A partir daí, o projeto ganhou espaço nas redes sociais, ampliou o catálogo e passou a atender diferentes perfis de consumidores.
A especialização nas peças ligadas aos orixás se tornou o principal ponto de diferenciação da empresa. A proposta não se limitou a colocar pequenas representações dentro de recipientes com plantas, mas transformar cada terrário em uma peça artística, com elementos capazes de remeter às histórias e aos símbolos relacionados a cada representação.
O empreendedor explica que o interesse dos consumidores cresceu a partir do encantamento provocado pelas peças e pelas histórias apresentadas nas redes sociais. O posicionamento ajudou o casal a ocupar um espaço específico em um mercado no qual a diferenciação pode ser determinante para conquistar clientes.

Com o tempo, a atividade deixou de depender exclusivamente da venda dos terrários prontos. O empreendimento passou a trabalhar também com miniaturas comercializadas separadamente, cursos e encomendas personalizadas.
A personalização se tornou outra frente da operação. Clientes podem enviar fotografias para que os empreendedores produzam peças baseadas nessas referências, ampliando as possibilidades de criação e tornando cada encomenda diferente.
A estratégia criou um verdadeiro ecossistema de produtos e serviços ao redor dos terrários. Além de vender as peças, o negócio passou a compartilhar conhecimento por meio de cursos e a comercializar elementos que podem ser utilizados separadamente.
Essa diversificação também reduz a dependência de um único produto e permite alcançar consumidores interessados tanto em adquirir uma peça pronta quanto em aprender a técnica ou encomendar uma criação exclusiva.
Terrários chegam a 300 peças por mês
O empreendimento que nasceu dentro de um apartamento ganhou uma estrutura muito maior. Atualmente, a operação reúne sete pessoas e produz aproximadamente 300 terrários por mês.
O tíquete médio das peças gira em torno de R$ 175. Considerando esse valor e o volume de produção informado, o faturamento potencial apenas com 300 terrários seria de cerca de R$ 52,5 mil em um mês, antes de considerar outras fontes de receita. Em períodos de maior movimento, porém, a empresa já alcançou R$ 100 mil de faturamento mensal.
O resultado mostra como a identificação de um nicho específico pode transformar uma atividade artesanal em uma operação comercial mais ampla. No caso do casal, a aposta em uma proposta que combina natureza, arte, cultura e personalização foi determinante para deixar de lado a ideia de que os terrários seriam apenas um hobby.
Negócio cresceu a partir de um hobby
A história de Edu e Will acompanha um movimento mais amplo do empreendedorismo brasileiro. Entre 2015 e 2025, o número de empresas com CNPJ cresceu 41%, passando de 7,45 milhões para 10,5 milhões, enquanto o empreendedorismo informal avançou 6%, de 18,6 milhões para 19,7 milhões.
Os números fazem parte da pesquisa “Empreendedorismo Informal Sob a Ótica da PNAD Contínua”, do Sebrae. O levantamento também mostra que o empreendedorismo informal vem assumindo um caráter mais estável: no quarto trimestre de 2025, 76% dos empreendedores informais estavam à frente de seus negócios havia pelo menos dois anos.
A busca por um negócio próprio também ganhou força entre os sonhos dos brasileiros. Dados da edição de 2025 da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mostram que a parcela de adultos que desejam abrir uma empresa subiu de 34% para 40% em apenas um ano.
Empreendedorismo volta a ganhar espaço entre os brasileiros
O crescimento do negócio também ocorre em um cenário de maior interesse pela abertura de empresas. Segundo a GEM 2025, realizada no Brasil pela Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe), em parceria com o Sebrae, o empreendedorismo voltou à segunda posição entre os maiores sonhos da população adulta, atrás apenas da compra da casa própria.
A pesquisa entrevistou 2.350 brasileiros entre junho e agosto de 2025 e apontou que o desejo de empreender foi o que mais cresceu entre as 11 aspirações analisadas.











