A chegada de um El Niño de intensidade excepcional deve colocar Santa Catarina em estado de atenção nas próximas semanas. Segundo Frederico de Moraes Rudorff, gerente de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil, é muito provável que o Estado entre, ainda neste mês ou no próximo, na classificação de El Niño muito forte, conhecida também como “Super El Niño”. A previsão acende um alerta especialmente para os períodos de transição entre as estações, quando o fenômeno costuma alterar de maneira significativa o regime de chuvas.
De acordo com o especialista, a primavera de 2026 e o outono de 2027 são considerados os dois intervalos mais preocupantes para o acompanhamento da precipitação em Santa Catarina. O cenário exige monitoramento contínuo diante da possibilidade de volumes elevados de chuva associados à atuação do fenômeno climático.
Apesar das expectativas de que setembro seria marcado por calor intenso em razão do El Niño, os últimos dias foram caracterizados justamente pelo cenário oposto em diversas áreas do país, com chuva e temperaturas mais baixas. Isso não significa, porém, que o fenômeno tenha perdido força.
Meteorologistas apontam que o El Niño permanece intenso no Oceano Pacífico. Seus efeitos já são percebidos de maneira mais evidente no Rio Grande do Sul e em áreas da Amazônia, enquanto outros padrões atmosféricos têm modificado sua influência sobre o restante do território brasileiro.
A combinação desses fenômenos ajuda a explicar por que um mês tradicionalmente associado à retomada do calor e à redução da umidade apresenta, em 2026, características bastante diferentes do esperado.
Oscilação Antártica favorece avanço do ar frio
Um dos mecanismos envolvidos é a Oscilação Anular Antártica (OAA), fenômeno relacionado ao comportamento dos ventos que circulam a Antártica. Atualmente em fase negativa, a OAA provoca o enfraquecimento desse cinturão de ventos e abre espaço para que massas de ar frio avancem em direção às latitudes mais baixas da América do Sul.
Ao chegar ao Brasil, essas massas de ar são transportadas principalmente por frentes frias. Durante o deslocamento pelo continente, elas encontram águas mais quentes no Atlântico, condição associada às mudanças climáticas. A maior disponibilidade de calor favorece a presença de vapor d’água na atmosfera, aumentando a umidade carregada pelas frentes.
O resultado é um ambiente mais favorável à formação de chuva à medida que esses sistemas avançam pelo território brasileiro.
Setembro deveria marcar o retorno gradual do calor
Climatologicamente, setembro representa uma espécie de ponte entre o período seco e o período chuvoso em grande parte do Brasil. A expectativa habitual é de que as temperaturas comecem a subir, sobretudo no Centro-Norte, enquanto as primeiras pancadas de chuva retornam gradualmente a determinadas áreas.
Entre os locais que normalmente passam por essa transição estão Rondônia, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal e o oeste da Bahia. Entretanto, a dinâmica observada em 2026 tem produzido um comportamento diferente, com episódios de frio e chuva mais marcantes.
Segundo a avaliação de especialistas citada nas informações, existe uma tendência de que as temperaturas permaneçam acima da média climatológica na maior parte do Brasil ao longo do período. Norte e Nordeste aparecem entre as regiões com maior probabilidade de registrar temperaturas superiores à média histórica.











