O papa Leão XIV determinou a construção de um novo edifício no território do Estado da Cidade do Vaticano para ampliar as instalações destinadas ao Arquivo Apostólico Vaticano e à Biblioteca Apostólica Vaticana. A decisão foi formalizada em um chirograph publicado nesta segunda-feira (14), diante do crescimento do acervo bibliográfico e da produção documental da Santa Sé nas últimas décadas.
O novo espaço será construído na região conhecida como Fontana dell’Autoparco e em áreas adjacentes. A estrutura será destinada principalmente às duas instituições responsáveis pela preservação de parte significativa da memória documental, administrativa e cultural da Igreja, mas também contará com uma área reservada a outros serviços do Estado da Cidade do Vaticano.
A medida ocorre no mesmo dia em que Leão XIV inaugura a exposição “AQVA”, na Biblioteca do Vaticano. Segundo o documento papal, a ampliação tornou-se necessária porque os espaços atualmente disponíveis já não são suficientes para acomodar o crescimento das coleções e dos documentos produzidos pelas instituições da Santa Sé.

Projeto que estava previsto para outra região de Roma foi alterado
A necessidade de ampliar as instalações já havia sido identificada durante o pontificado do papa Francisco. Na época, havia sido escolhido um terreno pertencente ao complexo de Latrão, em uma área extraterritorial localizada do outro lado do centro de Roma, para receber as novas estruturas.
O projeto, porém, mudou de localização durante os primeiros meses do pontificado de Leão XIV. O atual papa afirma que surgiram novas possibilidades para a criação de espaços dentro do próprio Estado da Cidade do Vaticano e considera essa alternativa mais adequada por diferentes motivos.
Com a nova determinação, a área da Fontana dell’Autoparco e seus arredores será oficialmente destinada ao Arquivo Apostólico e à Biblioteca Apostólica, respeitando os limites indicados no plano anexado ao documento.
Edifício terá espaços para Biblioteca e Arquivo
Leão XIV determinou que a nova construção seja planejada de acordo com princípios arquitetônicos e tecnológicos considerados modernos, além de atender às normas atualmente vigentes.
A estrutura deverá distribuir de maneira equilibrada os espaços entre a Biblioteca Apostólica e o Arquivo Apostólico. Uma parte do edifício, entretanto, será reservada às demais necessidades do Estado da Cidade do Vaticano.
A administração da obra ficará sob responsabilidade do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, que deverá trabalhar em conjunto com as duas instituições. O Estado assumirá os custos referentes às áreas destinadas aos seus próprios serviços.
Há, contudo, uma divisão específica das despesas. A transferência do parque de veículos e a construção de uma nova área de estacionamento ficarão sob responsabilidade do Arquivo Apostólico e da Biblioteca Apostólica.
Fundação será criada para financiar o projeto
O pontífice também estabeleceu uma estrutura específica para reunir e administrar os recursos necessários à construção dos espaços destinados às duas instituições.
A Biblioteca Apostólica e o Arquivo Apostólico deverão atuar como entidades fundadoras e promotoras de uma fundação instrumental do Vaticano. O objetivo será obter os recursos financeiros necessários para a construção e administrar os valores destinados ao projeto.
A nova fundação deverá seguir as regras jurídicas e operacionais estabelecidas pelo motu proprio publicado por Francisco em 5 de dezembro de 2022, que trata das pessoas jurídicas instrumentais da Cúria Romana.
Enquanto o novo edifício não estiver concluído, a Biblioteca Apostólica continuará utilizando os espaços de armazenamento que ocupa atualmente no Pontifício Seminário Romano Maior.











