O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (17) que o Sistema Único de Saúde (SUS) deverá oferecer gratuitamente canetas emagrecedoras a pacientes com obesidade que tenham indicação médica. A medida ainda depende da definição de um protocolo clínico, que deverá estabelecer quais pacientes poderão ter acesso aos medicamentos e em quais situações o tratamento será recomendado. O anúncio ocorreu durante uma visita ao novo Complexo Industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG), onde Lula esteve acompanhado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Durante a agenda, Padilha apresentou os primeiros resultados do trabalho desenvolvido pelo Ministério da Saúde para avaliar a incorporação desse tipo de medicamento à rede pública. Segundo o ministro, a proposta é ampliar o acesso sem transformar as chamadas canetas emagrecedoras em uma solução meramente estética, priorizando pacientes que possam obter benefícios clínicos com o tratamento.
O Ministério da Saúde estuda diferentes grupos de pacientes para determinar como os medicamentos poderão ser utilizados no SUS. Entre as avaliações estão pessoas que aguardam por cirurgia bariátrica, para verificar se o tratamento medicamentoso pode controlar a obesidade e evitar ou adiar a necessidade de intervenção cirúrgica.

Também estão sendo analisados pacientes com obesidade e problemas cardíacos, além de mulheres que tiveram câncer de mama. Nesse último grupo, a pasta pretende avaliar se o uso do medicamento pode contribuir para reduzir o risco de retorno da doença.
O Brasil já possui 14 medicamentos registrados para o tratamento da obesidade, de acordo com Padilha. A ampliação da oferta também provocou uma redução nos preços. Medicamentos que anteriormente custavam entre R$ 1,7 mil e R$ 2 mil passaram a ser encontrados, em alguns casos, na faixa de R$ 300 a R$ 400 nas farmácias.
O governo também trabalha para ampliar a produção nacional. A iniciativa ganhou força após um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendar que os países avaliassem formas de ampliar o acesso a medicamentos desse tipo, considerando possíveis benefícios para outras condições de saúde.
Segundo o ministro, o Ministério da Saúde e a Anvisa abriram um edital para empresas nacionais e estrangeiras interessadas em produzir no Brasil a caneta à base de semaglutida, princípio ativo utilizado em medicamentos como Ozempic e Wegovy. A patente da substância expirou em 2026, abrindo espaço para novas alternativas de fabricação e comercialização.
Uso das canetas cresce e chega a mais famílias
A expansão do acesso aos medicamentos ocorre em meio ao aumento do número de brasileiros que já tiveram contato com as chamadas canetas emagrecedoras. Pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que 62% dos entrevistados conhecem alguém que utiliza ou já utilizou esses medicamentos.
Em 33% dos domicílios pesquisados, pelo menos um morador afirmou ter feito ou ainda fazer uso das canetas. O percentual representa crescimento em relação à primeira rodada do levantamento, realizada no fim de 2025, quando 26% das residências registravam alguém que utilizava os medicamentos.
A pesquisa foi realizada entre 3 e 9 de fevereiro, com 1.004 pessoas de diferentes regiões do país, por meio de questionário digital de autopreenchimento. Os dados foram ponderados de acordo com região, gênero, idade e renda, considerando o perfil da população brasileira medido pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE.
Entre aqueles que já utilizaram os medicamentos, 78% afirmaram que recomendariam o tratamento a amigos ou familiares. Entre os que deixaram de usar as canetas, nove em cada dez disseram ter interesse em retomar o tratamento.
Um dos principais pontos de preocupação está justamente na aquisição sem acompanhamento médico. Entre os usuários ouvidos pela pesquisa, quatro em cada dez disseram ter comprado os medicamentos sem receita, pela internet ou no exterior, apesar da exigência de prescrição médica para a comercialização desses produtos no Brasil.
O cenário também inclui relatos de compra em canais informais, como estabelecimentos que não são destinados à comercialização regular de medicamentos. O levantamento aponta, portanto, que a ampliação do acesso ocorre paralelamente a um mercado ilegal ou irregular, aumentando a preocupação com produtos de procedência duvidosa e tratamentos realizados sem orientação profissional.











