Pessoas que evitam pedir ajuda à família podem carregar uma aprendizagem feita na infância, quando precisar de apoio era interpretado como sinal de fracasso. Esse comportamento, segundo estudiosos do tema, não se confunde com orgulho ou teimosia, mas com uma estratégia construída para lidar com ambientes em que a independência era mais valorizada do que a cooperação.
Em algumas famílias, a criança que pedia uma carona ouvia que o irmão ia de bicicleta sozinho. Quando precisava de ajuda com um trabalho, escutava o suspiro antes de a cadeira ser puxada.
No jantar, o irmão mais velho era elogiado por resolver problemas sozinho, enquanto o mais novo não recebia comentário algum. A lição, segundo pesquisadores, ficava clara sem precisar ser dita: a independência era recompensada, e precisar de coisas era anotado.
Crianças que recebem tratamento menos favorável têm menor autoestima
Um estudo de 2025 publicado no Psychological Bulletin, conduzido pelo psicólogo Alexander Jensen e pela pesquisadora McKell Jorgensen-Wells, analisou dados de mais de 19 mil pessoas.
Os resultados indicaram que crianças que receberam tratamento menos favorável apresentaram menor autoestima e relacionamentos mais fracos mais tarde na vida.
Em outros casos, não há irmão na comparação. O pai ou a mãe tratava todo pedido como um fardo, e a criança aprendia sozinha que precisar de coisas tinha um custo. A autossuficiência passava a ocupar o centro da identidade. Primeiro, a pessoa deixa de pedir carona. Depois, deixa de mencionar quando as coisas estão difíceis. Por fim, deixa de contar sobre o problema até que ele já tenha sido resolvido.
Pesquisa da Universidade de Camberra, conduzida pela pesquisadora Amelia Ishikawa com mais de cinco mil jovens australianos, identificou que uma maior autossuficiência estava associada a uma menor intenção de buscar ajuda, tanto de fontes informais quanto profissionais.











