Uma caixa escondida no fundo de um guarda-roupa, que a família sempre tentava descobrir o que estava dentro, mas sem sucesso. Parece a história da misteriosa caixa branca de Perpétua (Joana Fomm) na novela Tieta (1989), mas o final da que estamos contando aqui é bem menos macabro e bem mais tocante. Assim como Perpétua, Dalva mantinha uma caixa no fundo do armário e sempre mudava de assunto quando perguntavam o que era. Aos 82 anos, ela passou por uma breve internação e, saída do hospital, acabou decidindo mostrar à família o que estava dentro da caixa.
O que tinha na caixa escondida de Dalva?
A idosa mantinha lembranças envolvendo as pessoas de sua família, objetos que muitas pessoas provavelmente teriam jogado fora, como fotos, boletins escolares, cartões de vacinação antigos, dentes de leite, entre outros. Todas essas pequenas lembranças eram separadas em diferentes envelopes com nomes e datas. Tinha por exemplo uma pulseira de maternidade da neta mais velha, logo ao lado de um primeiro ingresso de cinema dela com a avó.
Dalva entrou cópias de fotografias guardadas e os netos fizeram cópias digitais dos registros, mais uma forma de preservar a caixa de memórias da avó mesmo com o tempo desgastando esses objetos.
“O tesouro imaginado não pagaria contas. Ainda assim, ninguém saiu decepcionado. A caixa guardava pequenas provas de que a avó observara cada infância com uma atenção que a família só percebeu ao abrir tudo”, afirma texto do Catraca Livre sobre essa história comovente.











