Uma parcela significativa dos brasileiros demonstra preocupação com os rumos do país nos próximos anos. Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (18) aponta que 37% dos entrevistados se consideram pessimistas quando pensam no Brasil atualmente. O levantamento também mostra que 43% mantêm uma visão otimista, enquanto outros 20% não se posicionaram entre os dois sentimentos.
Os percentuais foram obtidos a partir das respostas dos eleitores a seis perguntas relacionadas a diferentes sentimentos em relação ao país. O resultado ocorre em um cenário marcado por novos desdobramentos envolvendo o escândalo do banco Master e pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF), a duas semanas do primeiro turno das eleições.
Os dados fazem parte do Índice de Confiança Social (ICS) 2026, realizado entre 4 e 8 de julho com 2 mil pessoas em 130 municípios brasileiros. Em uma escala de zero a 100, o índice geral alcançou 55 pontos.
O levantamento é realizado desde 2009 e permite acompanhar, ao longo dos anos, mudanças na percepção dos brasileiros em relação às instituições e aos grupos sociais. Na edição de 2026, a confiança nas pessoas e nos grupos próximos permanece superior à confiança nas instituições. Enquanto os primeiros registraram 63 pontos, as instituições alcançaram 54.
O estudo indica que organizações associadas à proteção, à educação e à convivência social continuam concentrando os maiores níveis de credibilidade. Já as instituições relacionadas diretamente à política permanecem nas posições inferiores.
Corpo de Bombeiros mantém liderança pelo 17º ano
Pelo 17º ano consecutivo, o Corpo de Bombeiros aparece como a instituição mais confiável para os brasileiros, com 86 pontos. O resultado mantém a corporação isolada na liderança do ranking de confiança.
Na sequência aparecem as escolas públicas, com 68 pontos, e a Polícia Federal, com 66. Igrejas registraram 64 pontos, enquanto as Forças Armadas alcançaram 63 e a Polícia, 61. As empresas aparecem logo depois, com 59 pontos.
Em uma faixa intermediária estão as organizações da sociedade civil, com 55 pontos. Meios de comunicação, sistema público de saúde, bancos e Ministério Público registraram 54 pontos cada.
Na outra ponta do levantamento estão instituições diretamente relacionadas à estrutura política. Os partidos políticos obtiveram 30 pontos, o Congresso Nacional marcou 34 e o cargo de presidente da República ficou com 42.
Também registraram 42 pontos os sindicatos. O Governo Federal alcançou 46, enquanto o sistema eleitoral e as prefeituras, considerando o governo da cidade onde o entrevistado mora, ficaram com 48 pontos.
Os Tribunais de Contas do Brasil foram incluídos pela primeira vez no estudo e registraram 49 pontos, resultado próximo ao atribuído ao Poder Judiciário.
Renda melhora, mas desigualdade ainda impõe desafios
A percepção sobre o futuro também está inserida em um cenário econômico e social que passou por mudanças importantes nos últimos anos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, apontaram melhora nos indicadores de renda em 2023, depois de um período marcado pelos efeitos da crise provocada pela pandemia.
Em 2023, o rendimento médio mensal da população cresceu 7,2% em relação ao ano anterior. A renda média mensal domiciliar per capita também avançou, com alta de 11,5%, atingindo o maior valor em 12 anos, segundo os dados apresentados.
Apesar da melhora, a evolução dos indicadores não elimina os desafios relacionados à desigualdade. Parte do avanço da renda esteve associada à maior participação de pessoas beneficiadas por programas governamentais, mecanismo que contribuiu para reduzir a desigualdade no curto prazo, mas que, segundo a análise apresentada, não substitui medidas estruturais capazes de sustentar esse resultado.
Pandemia deixou impactos na renda, educação e segurança alimentar
O quadro atual também contrasta com as dificuldades enfrentadas pelo país em 2022, quando os efeitos da crise sanitária ainda atingiam diferentes áreas da sociedade. Naquele período, economia, saúde pública, educação e segurança alimentar estavam entre os setores mais afetados.
O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,9% em 2022, mas a recuperação não ocorreu de maneira uniforme entre as famílias. A inflação também pressionou o orçamento doméstico. No primeiro semestre daquele ano, o IPCA chegou a superar 11% antes de terminar o período em 5,8%. Os preços de alimentos e bebidas tiveram alta de 11,6%.
As estimativas apresentadas apontavam que entre 15 milhões e 33 milhões de pessoas enfrentavam fome em 2022, enquanto aproximadamente 125 milhões viviam algum nível de insegurança alimentar.
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego caiu de 11,2% no início de 2022 para 8,1% no fim daquele ano, menor nível em sete anos naquele momento. Ainda assim, a informalidade e o desalento permaneciam como problemas relevantes.
A educação também sofreu consequências. Durante o período da pandemia, as taxas de evasão escolar registraram aumento de 171%, ampliando um problema que ultrapassa os indicadores econômicos e afeta as perspectivas de formação e mobilidade social.











