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Homens com essa condição mental podem perder até 12 anos de vida; entenda o motivo

Por Pedro Silvini
27/09/2026
Em Geral
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doença mental

Foto: (Reprodução/Shutterstock)

Pessoas que vivem com transtornos mentais graves podem enfrentar uma diferença significativa na expectativa de vida em relação à população geral. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Queensland, na Austrália, identificou que homens com essas condições morrem, em média, 12 anos mais cedo, enquanto entre as mulheres a diferença chega a 10 anos.

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O estudo analisou dados hospitalares de aproximadamente 255 mil pacientes do estado australiano de Queensland ao longo de 14 anos. Foram considerados diferentes quadros de saúde mental, incluindo transtornos depressivos, transtornos neuróticos e relacionados ao estresse, problemas associados ao consumo de álcool e outras drogas e esquizofrenia.

Publicado na Lancet Regional Health – Western Pacific, o levantamento constatou que as taxas de mortalidade melhoraram ao longo do período analisado, mas a desigualdade em relação à população geral permanece expressiva.

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Os pesquisadores destacam que a redução da expectativa de vida não está relacionada apenas às próprias condições de saúde mental. Pessoas com transtornos graves também apresentam maior risco de desenvolver ou morrer por doenças físicas, muitas delas potencialmente preveníveis.

Dados analisados pelo sistema de saúde da Inglaterra apontam uma diferença semelhante. Adultos com doenças mentais graves podem morrer entre 15 e 20 anos antes da população geral em razão de problemas físicos.

Entre pessoas com menos de 75 anos acompanhadas por serviços especializados de saúde mental, o risco de morte por determinadas doenças é consideravelmente maior. A probabilidade de morrer por doença hepática é 6,3 vezes superior, enquanto o risco relacionado a doenças respiratórias é seis vezes maior.

Para doenças cardiovasculares, a diferença chega a 3,8 vezes, e para câncer, a 2,3 vezes. O suicídio apresenta uma disparidade ainda mais acentuada: o risco é 14,6 vezes maior nesse grupo.

Considerando todas as causas de morte, adultos com transtornos mentais graves têm 4,8 vezes mais chances de morrer antes dos 75 anos do que pessoas que não foram encaminhadas para serviços especializados de saúde mental.

Câncer e problemas cardiovasculares preocupam

Os dados ingleses também mostram a dimensão das chamadas mortes prematuras entre adultos em idade produtiva. No período de 2022 a 2024, foram registradas mais de 24 mil mortes por doenças cardiovasculares e mais de 24 mil por câncer entre pessoas com problemas graves de saúde mental.

Somadas, doenças cardiovasculares, câncer, problemas respiratórios e doenças hepáticas representaram 56,5% das mortes de pessoas de 18 a 74 anos com transtornos mentais graves na Inglaterra.

Câncer e doenças cardiovasculares responderam, individualmente, por pouco menos de 19% das mortes. As doenças respiratórias representaram 11%, enquanto as hepáticas corresponderam a 8%. O suicídio foi responsável por 7% das mortes prematuras no período.

Os números mostram que a relação entre saúde mental e expectativa de vida envolve uma combinação de fatores que ultrapassa o diagnóstico psiquiátrico.

Pobreza, tabagismo e falta de atividade física entram na equação

Entre os fatores associados ao excesso de mortalidade estão pobreza, condições inadequadas de moradia, taxas mais elevadas de tabagismo, ganho de peso relacionado a determinados medicamentos, sedentarismo e dificuldade de integração entre os diferentes serviços de saúde.

Outro problema apontado pelos pesquisadores é o chamado “diagnostic overshadowing”, expressão utilizada para descrever situações em que sintomas físicos são atribuídos equivocadamente à condição mental do paciente.

Na prática, uma queixa física pode ser interpretada como consequência do transtorno psiquiátrico, fazendo com que uma doença seja investigada ou tratada mais tarde do que deveria. Esse atraso pode ser especialmente grave quando se trata de câncer, doenças cardíacas ou problemas respiratórios.

Diferença não deve ser encarada como inevitável

Especialistas defendem que a redução dessa desigualdade depende de uma abordagem mais integrada, na qual o acompanhamento da saúde física tenha a mesma importância que o tratamento psiquiátrico.

Mark Winstanley, presidente-executivo da organização Rethink Mental Illness, afirmou, no veículo The Guardian, que é especialmente preocupante o fato de pessoas com transtornos mentais graves terem contato frequente com os serviços de saúde e, ainda assim, oportunidades de identificar e tratar doenças físicas serem perdidas.

Ter uma doença mental grave não deveria significar uma condenação a uma morte precoce. Segundo o estudo, medidas como programas para interromper o tabagismo e avaliações periódicas da saúde física já possuem evidências de eficácia, mas precisam ser aplicadas de forma mais ampla.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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Imagem ilustrativa: Freepik

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