A primavera começou oficialmente no Brasil às 21h05 desta terça-feira (22), pelo horário de Brasília, mas o país já enfrenta uma combinação típica de uma estação marcada por mudanças bruscas no tempo. Enquanto áreas do Centro-Norte registram calor intenso, uma frente fria avança pelo Sudeste e aumenta a possibilidade de chuva forte, temporais, granizo e rajadas de vento em diferentes regiões.
A estação, cujo nome vem da expressão latina primo vere, ou “primeiro verão”, é marcada pela transição entre o período mais frio e o aumento gradual das temperaturas. No Brasil, também representa uma etapa importante para a retomada das chuvas em boa parte do território.
Em 2026, entretanto, a dinâmica atmosférica deverá ser influenciada por um El Niño considerado muito forte. A expectativa é que o fenômeno ganhe ainda mais intensidade durante a primavera e alcance o pico até o fim da estação, provocando mudanças significativas na distribuição das chuvas e no comportamento das temperaturas.

El Niño pode intensificar extremos climáticos
De acordo com a previsão apresentada pela Climatempo, o El Niño deste ano pode atingir uma intensidade excepcional e, segundo a análise citada pela instituição, tornar-se potencialmente o mais forte observado pela ciência desde 1950.
Os efeitos do fenômeno já começaram a aparecer durante o inverno, mas devem ficar mais evidentes ao longo da primavera. Uma das principais consequências esperadas é a redução da chuva e da nebulosidade em determinadas áreas, favorecendo a elevação dos termômetros.
O Centro e o Norte do país estão entre as regiões que mais devem sentir o aumento do calor. A área entre Pará e Amazonas aparece como uma das mais suscetíveis a temperaturas muito acima do padrão.
A primavera de 2023, também influenciada pelo El Niño, dá uma dimensão do que pode ocorrer. Naquele período, Curitiba chegou a 35°C, São Paulo alcançou 37,7°C, Goiânia registrou 39,7°C e o Rio de Janeiro chegou a 42,5°C.
Em Cuiabá, os termômetros marcaram 44,2°C em 19 de outubro de 2023, estabelecendo naquele momento o recorde histórico de calor da capital mato-grossense. Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, também enfrentou uma sequência de temperaturas extremas, com 43,4°C registrados em 17 de outubro e 16 de novembro.
Chuva forte deve contrastar com áreas de seca
Apesar do calor intenso em determinadas partes do país, a primavera também terá regiões sujeitas a volumes elevados de chuva.
No Sul, os modelos indicam precipitações acima da média, com acumulados que podem chegar a aproximadamente 1.000 milímetros durante a estação, enquanto a média normalmente fica em torno de 650 milímetros.
O excesso de chuva pode provocar transtornos, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Ao mesmo tempo, massas de ar frio ainda poderão passar pela região e manter temperaturas próximas ou abaixo da média em algumas áreas.
No Sudeste, o comportamento será mais irregular. São Paulo, o sul e oeste de Minas Gerais e o sul do Rio de Janeiro tendem a registrar volumes acima da média. Em contrapartida, partes do Espírito Santo, norte de Minas Gerais e norte fluminense podem receber menos de 50 milímetros de chuva.
São Paulo ainda poderá experimentar temperaturas mais amenas até novembro devido à influência de sistemas próximos ao Sul. A tendência, entretanto, é de uma mudança para condições mais quentes a partir de dezembro.
No Centro-Oeste, a predominância será de tempo mais seco. Mato Grosso e Goiás devem registrar chuva abaixo da média, enquanto Mato Grosso do Sul apresenta perspectiva mais favorável para precipitações. A redução da nebulosidade deve contribuir para o aumento das temperaturas, principalmente no norte de Mato Grosso, onde a média pode ficar até 2°C acima do normal.
Norte pode ter até 5°C acima da média
No Norte, a situação deve ser praticamente oposta à observada no Sul. Amazonas e Pará estão entre os estados que podem registrar chuva significativamente abaixo da média.
Em Manaus, o acumulado previsto pode ficar pouco acima de 100 milímetros, volume inferior à metade do esperado normalmente para a estação.
A combinação entre pouca chuva e menor cobertura de nuvens deve favorecer temperaturas excepcionalmente elevadas. Amazonas e Pará podem apresentar marcas de até 5°C acima da média durante a primavera.
O Nordeste também deverá permanecer com precipitações abaixo do padrão observado para a estação. O cenário aumenta o risco de estiagem, especialmente diante da influência do El Niño.
Bahia, Maranhão e Piauí aparecem entre os estados onde o calor pode ser mais intenso, com temperaturas de até 2°C acima da média.











