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Cidade tem menos de 3 mil habitantes, mas ficou à frente de cidades gigantes em pesquisa que avaliou saúde, segurança, trabalho e qualidade de vida das mulheres

Por Pedro Silvini
26/09/2026
Em Geral
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cidade aguas de sao pedro

Foto: (Reprodução/ALESP)

Com menos de 3 mil habitantes, uma pequena cidade do interior de São Paulo alcançou o primeiro lugar em um ranking que avaliou as condições de vida das mulheres nos municípios brasileiros. Águas de São Pedro foi apontada como a cidade com os melhores indicadores gerais para a população feminina, superando municípios muito maiores em uma análise que levou em conta áreas como saúde, trabalho e renda e participação política.

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O resultado faz parte do Índice Municipal de Gênero (IMG), levantamento inédito elaborado pela Tewá 225. Apesar da liderança de Águas de São Pedro, o estudo chama atenção para um dado que atravessa todo o país: nenhum dos municípios analisados atingiu um patamar considerado adequado para as mulheres.

A realidade apontada pelo levantamento também aparece em pesquisas nacionais sobre violência. Um estudo dos Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, mostra que 94% das brasileiras afirmam sentir medo da violência no cotidiano. Entre os homens, o percentual é de 84%.

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Entre as dimensões analisadas pelo Índice Municipal de Gênero, a participação política apresentou o pior desempenho nacional. A média das cidades brasileiras ficou em apenas 29,59 pontos.

Um dos fatores que ajudam a explicar o resultado é a baixa presença de estruturas institucionais voltadas aos direitos das mulheres. Segundo o levantamento, 68,7% dos municípios brasileiros não possuem Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.

O cenário apresenta diferenças importantes entre as regiões. O Nordeste registrou a maior média nacional nesse indicador, com 38,17 pontos. Na outra ponta está o Sudeste, com 22,14 pontos.

Os números mostram que tamanho populacional, por si só, não determina a qualidade das políticas voltadas às mulheres. A liderança de Águas de São Pedro reforça justamente a existência de diferenças significativas entre municípios, independentemente de sua dimensão.

Saúde também revela desigualdades

A saúde aparece como outro dos principais gargalos identificados pelo estudo. A média nacional nessa dimensão foi de 30,42 pontos.

Entre os indicadores considerados está o acompanhamento pré-natal. Apenas 24,74% das gestantes realizaram seis ou mais consultas, segundo os dados utilizados pelo levantamento.

O acesso a exames preventivos também permanece limitado. Somente 36,14% das mulheres têm acesso a procedimentos como o exame Papanicolau.

A diferença regional é novamente expressiva. O Sul apresentou o melhor resultado na dimensão da saúde, com média de 37,29 pontos. O Norte teve o pior desempenho, com 20,51.

Nas cidades que apresentam os indicadores mais baixos, mulheres negras e indígenas aparecem entre os grupos mais afetados. De acordo com o estudo, 64,15% delas estão concentradas na região Norte.

Trabalho e renda dependem também da estrutura de cuidados

A autonomia econômica feminina é outro ponto analisado pelo IMG. A média nacional em trabalho e renda ficou em 40,41 pontos, enquanto a taxa média de ocupação das mulheres foi de 39,48%.

O levantamento encontrou ainda uma relação entre a disponibilidade de creches e a participação feminina no mercado de trabalho. Nos municípios com maior cobertura de creches, de 18,4%, a pontuação relacionada à ocupação feminina chegou a 66,26 pontos.

O dado evidencia como políticas de apoio ao cuidado infantil podem interferir diretamente na capacidade das mulheres de permanecerem ou ingressarem no mercado de trabalho.

Medo da violência atinge quase todas as mulheres

A preocupação com a segurança aparece em outra pesquisa nacional. O levantamento “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre a violência”, realizado pelos Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, ouviu 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, entre 22 e 30 de abril de 2026.

A pesquisa aponta que 89% dos brasileiros sentem medo da violência no dia a dia. Entre as mulheres, entretanto, o percentual chega a 94%. Nos homens, é de 84%.

Violência Nordeste
Foto: (Reprodução/Magnific)

Quando o recorte considera especificamente os deslocamentos urbanos, o medo aumenta para 92% entre a população em geral. Entre as mulheres, chega novamente a 94%, enquanto entre os homens fica em 90%.

A margem de erro do levantamento é de 2,8 pontos percentuais.

Violência nem sempre é reconhecida pelas próprias vítimas

Outro levantamento, realizado pelo DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) do Senado, mostra que a dimensão da violência doméstica pode ser ainda maior do que os números declarados espontaneamente sugerem.

Uma em cada três brasileiras afirmou ter vivido alguma situação de violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa. No entanto, somente 4% disseram espontaneamente ter sido vítimas de violência.

Outras 29% relataram situações concretas de agressão, mas não se identificaram como vítimas de violência doméstica ou familiar.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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