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Cientistas descobrem que uma parte do continente já entrou em uma fase crítica de separação, e o fenômeno pode transformar o mapa com o surgimento de um novo oceano

Por Laura Silveira
25/09/2026
Em Geral
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Cientistas descobrem continente entrou fase

Foto: Nothing Ahead/Pexels

O leste africano está se rompendo mais rápido do que se imaginava, e esse processo pode dar origem a um novo oceano no planeta. A conclusão vem de um estudo publicado na Nature Communications sobre o Rift de Turkana, faixa que corta o território entre Quênia e Etiópia.

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A pesquisa, conduzida por um geocientista da Universidade Columbia, também esclarece por que tantos fósseis de hominínios antigos foram encontrados justamente nessa região. Segundo esta análise, a própria movimentação das placas tectônicas teria favorecido a preservação desses restos ao longo do tempo.

Uma crosta cada vez mais fina

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Dados sísmicos coletados anteriormente na região permitiram medir a espessura da crosta terrestre no centro do rifte: apenas 13 quilômetros, contra mais de 35 quilômetros nas bordas da área. Essa diferença revela o quanto o terreno já está fragilizado ali.

Uma crosta abaixo de cerca de 15 quilômetros entra na fase chamada de necking, quando a estrutura fica progressivamente mais fraca e a separação ganha força sozinha. Segundo o geocientista da Universidade Columbia, o rompimento nessa área está muito mais adiantado do que qualquer pesquisa havia apontado até agora, com a crosta mais fina do que se supunha.

O leste africano, conforme destacou o pesquisador, avançou no processo de fragmentação além do que a comunidade científica esperava.

Como nasce um oceano

Duas placas tectônicas protagonizam essa ruptura gradual. De um lado está a placa Núbia, maior e responsável pela maior parte do continente; do outro, a placa Somali, que carrega a costa leste da África e Madagascar.

Essa fenda avança por centenas de quilômetros entre os dois países e, daqui a alguns milhões de anos, deve chegar à chamada oceanização — etapa em que a divisão continental abre espaço para uma nova bacia marítima.

O afinamento contínuo da crosta permite que o magma suba, se acumule e esfrie, formando uma base que futuramente pode receber as águas do Oceano Índico.

A conexão com os fósseis

O início desse afinamento, há aproximadamente 4 milhões de anos, coincide com a data dos primeiros fósseis de hominínios já catalogados na região de Turkana. Para os autores da pesquisa, essa proximidade temporal não é mera coincidência.

À medida que a fratura avançava, o acúmulo de sedimentos na área também cresceu, criando um ambiente propício à conservação de restos de seres vivos. Essa camada espessa de material sedimentar teria funcionado como uma espécie de proteção natural, guardando vestígios que hoje ajudam a reconstruir a história da evolução humana naquela parte do planeta.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Laura Silveira

Laura Silveira

Jornalista desde 2022, com experiência como redatora, editora-chefe e revisora em veículos especializados em esportes e Cultura Pop

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