Simon Smith encontrou uma sacola plástica repleta de papéis antigos enquanto organizava o sótão de seu falecido pai em Malvern, na Inglaterra. Dentro dela havia manuscritos, desenhos e correspondências originais que pertenceram a A.A. Milne, ninguém mais, ninguém menos que o criador do Ursinho Pooh. A descoberta surpreendeu Smith e o mundo editorial.
Compradores dos Estados Unidos e do Reino Unido arremataram a coleção em leilão por £95.000 (mais de US$ 118 mil, equivalente a R$ 611 mil). O conjunto reunia rascunhos originais junto a ilustrações, poemas e provas corrigidas de algumas das obras mais conhecidas da literatura infantil.
A descoberta no sótão
Leslie Smith, pai de Simon, trabalhava no ramo editorial e faleceu em novembro de 2023. Ele havia fundado a editora Cressrelles, que depois adquiriu a empresa do editor Frederick Muller. Essa trajetória explica como os arquivos da editora passaram a conter documentos de A.A.
Enquanto vasculhava os pertences do pai após sua morte, Simon abriu uma sacola comum de plástico e se deparou com assinaturas e documentos que inicialmente não conseguia identificar. Quando reconheceu o nome de A.A, e milne entre os papéis, ficou impressionado com o achado.
Os documentos encontrados no sótão datavam dos primeiros dias do Ursinho Pooh e remontavam às origens de um dos personagens mais conhecidos da literatura infantil. O material registra como Milne desenvolveu suas histórias e trabalhou com os colaboradores.
O que a coleção continha
Entre os itens mais significativos estavam os manuscritos originais do livro de aniversário de Christopher Robin e rascunhos da poesia “Vento na Colina”. A coleção incluía também provas corrigidas de “Agora Nós Somos Seis” e “A Casa do Ursinho Pooh”, além de ideias de design para cartões de Natal com personagens como Pooh, Leitão, Tigrão e Eeyore.
Entre os itens mais notáveis estavam desenhos originais, feitos a tinta e caneta, do Ursinho Pooh e do Leitão caminhando lado a lado na neve. O material incluía cartas de planejamento e versões preliminares das obras. Simon também descobriu correspondência entre Milne, o ilustrador E.H, e shepherd e o editor Frederick Muller.
As trocas mostram como o autor conduzia colaborações e resolvia desacordos criativos.
Detalhes da correspondência
Em uma carta datada de 28 de março de 1928, conforme informou o Smithsonianmag, Milne defendia seu urso favorito contra críticas, protestando que Pooh não deveria ser chamado de “monstro fabuloso” no jornal Observer.
Em outras mensagens, Milne expressava insatisfação com o trabalho de Shepherd e dizia que o ilustrador precisaria fazer novos desenhos para abril e setembro, porque os originais eram muito pobres.
A coleção se estendia além de Pooh: Simon também encontrou correspondência da autora Enid Blyton e cartões-postais de J.R.R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Anéis”, enviados ao seu pai. Esses documentos ampliavam a importância histórica do acervo, conectando-o a outras figuras proeminentes da literatura infantil do século 20.
Importância histórica do leilão
O leilão da Fieldings Auctioneers ocorreu em janeiro de 2025 e atraiu colecionadores e instituições de ambos os lados do Atlântico. Will Farmer, diretor da casa de leilões, disse ao Smithsonianmag que os documentos capturaram a imaginação do mundo editorial e agora integram acervos públicos e privados.
O Ursinho Pooh estreou em dezembro de 1925, quando “The Wrong Sort of Bees” (A Espécie Errada de Abelhas) foi publicado no jornal London Evening News. Daquela estreia inicial, o personagem evoluiu para uma série infantil de sucesso imediato, moldando gerações de leitores e, posteriormente, tornando-se uma franquia multimilionária adquirida pela Disney.
A descoberta em Malvern documenta esses primeiros passos, oferecendo aos estudiosos de literatura infantil uma janela rara para o processo criativo que originou um ícone global.











