Uma pintura cubista guardada há mais de seis décadas em Chicago vai voltar para os herdeiros de seu dono original. O Art Institute of Chicago anunciou a devolução de Mulher com um Leque, tela pintada em Paris em 1913 por Jean Metzinger, depois de concluir que a obra foi vendida sob pressão durante a ocupação nazista. A decisão foi divulgada pela própria instituição.
A peça pertencia ao colecionador judeu Emanuel Lewenstein, que dirigia uma empresa de máquinas de costura. Quando os nazistas invadiram os Países Baixos, em maio de 1940, a tela estava em seu acervo. Três meses depois, apareceu em um leilão em Amsterdã com mais de 150 obras, entre elas itens da célebre coleção Goudstikker e peças emprestadas ao Stedelijk Museum.
Nunca se esclareceu quem entregou a coleção Lewenstein ao leilão nem quem ficou com o dinheiro. Lewenstein morreu em 1930, e o acervo permaneceu com a mulher e os filhos até a ocupação.
Paradeiro da pintura
O paradeiro da pintura só voltou a ser conhecido em meados dos anos 1950. Em 1959, o museu a comprou de uma galeria de Nova York, e ela ficou exposta em Chicago desde então, saindo apenas para mostras em Iowa e no Texas entre 1985 e 1986.
A virada veio com imagens de infravermelho, que revelaram um nome apagado a lápis no verso da tela: Paul Citroen, negociante de arte do início do século XX. Ele havia adquirido a obra da galeria de Metzinger em 1919 e a revendeu em 1928 a Lewenstein, seu primo.
Para Jacques Schuhmacher, diretor executivo do departamento de pesquisa de proveniência do museu, sem provas em contrário é adequado tratar a venda como consequência da perseguição nazista, ou seja, uma transação forçada, feita por confisco ou sob pressão.











