Arqueólogos descobriram no Egito um túmulo com 1.700 anos que guarda um raro poema em grego antigo, provavelmente escrito por um filho lamentando a morte do pai.
O sepulcro de calcário, com teto em formato de pirâmide, data do século 4, quando o Império Romano controlava o Egito. O túmulo foi encontrado no Oásis de Dakhla, perto da antiga cidade de Mothis.
Construído para um casal, o túmulo contém uma placa de pedra com um poema de 19 linhas em grego antigo, segundo um comunicado traduzido do Ministério Egípcio de Turismo e Antiguidades. O falecido se chamava Pisechtes e pode ter sido juiz, mas o comunicado não mencionou a descoberta de restos humanos no local.
A mensagem gravada na pedra
O poema inscrito é uma lamentação pelo falecido, escrita em grego antigo. Angelos Chaniotis, pesquisador do Institute for Advanced Study em Nova Jersey, afirmou em entrevista ao Live Science que o texto é um epigrama altamente literário e original. Com gramática similar à dos épicos famosos de Homero.
Nas linhas finais do poema, Sarapion, filho de Pisechtes, dirige-se ao pai com as palavras “Escuta, pai!” e pede que ele aceite as libações fúnebres e oferendas das crianças enlutadas. No restante do texto, o falecido é elogiado por sua bondade e sabedoria e chamado de conselheiro em vida.
Um traço notável da inscrição é o uso de marcas diacríticas, como acentos, que indicam alto nível de educação de quem escreveu o epigrama. O túmulo pode ter sido reutilizado posteriormente, já que um santuário de tijolos de barro acima da entrada provavelmente foi erguido após o sepultamento de Pisechtes e sua esposa.
Símbolos de proteção e do Império
A câmara funerária contém inscrições hieroglíficas com feitiços destinados a proteger o falecido. Algumas mencionam partes do Amduat, um texto que narra a jornada do deus do sol através do submundo. A entrada do túmulo, acessada por 14 degraus, é decorada com várias imagens, incluindo um disco solar alado, a figura do deus Osíris e duas cobras.
Arqueólogos também encontraram uma mesa de oferendas, uma bacia de purificação, cerâmica e pelo menos uma moeda com a imagem do imperador romano Constantino o Grande, que governou de 306 a 337. Embora a moeda retrate um imperador que legalizou o cristianismo, o túmulo não parece ter decorações ou textos cristãos.











