Pesquisadores que escavavam no leste da Sérvia descobriram os restos de um complexo termal romano luxuoso e único, construído especialmente para um imperador e seus familiares de alto escalão.
O conjunto de ambientes — equipado com pisos aquecidos, três piscinas e uma sauna — estava oculto na base de uma torre dentro de um palácio imperial. Esse arranjo nunca havia sido documentado antes no Império Romano.
O complexo foi localizado em Vrelo-Šarkamen, um sítio arqueológico no leste da Sérvia que abriga uma fortaleza residencial monumental construída no início do quarto século. O local pertenceu a Maximino Daia, também conhecido como Galerius Valerius Maximinus, que foi imperador romano entre 310 e 313.
Uma equipe de pesquisadores do Institute of Archaeology, uma instituição de pesquisa independente sérvia, fez a descoberta, segundo anúncio de 3 de setembro.
O imperador e seu tempo
Maximino Daia nasceu no que é hoje a Sérvia e foi um dos quatro “tetrarcas” romanos — termo referente ao sistema em que o Império era dividido e governado conjuntamente. Em 293, o imperador Diocleciano dividiu essencialmente o Império Romano em duas metades: Oriente e Ocidente, cada uma administrada por um imperador sênior e um governante júnior.
Por volta de 305, Constâncio e Galerius eram os imperadores sêniores, enquanto Severo e Maximino Daia ocupavam os cargos juniores.
Maximino reivindicou o título de imperador sênior em 301, mas sua permanência no poder durou apenas três anos. Ele morreu em 313 após perder uma guerra civil contra seu rival, Lícinio. Os arqueólogos acreditam que as novas escavações no palácio imperial de Maximino Daia revelam que a residência era ainda mais complexa e luxuosa do que se suspeitava anteriormente.
O banho circular e sua engenharia
O palácio possuía uma torre monumental no canto sudoeste, e foi dentro dela que os arqueólogos encontraram a estrutura do banho — chamada balneum em latim. A descoberta surpreendeu os pesquisadores porque a maioria dos antigos balnea eram orientados linearmente, com os ambientes dispostos em fileira.
Este, porém, tinha formato circular com teto abobadado e seis janelas, demonstrando um alto nível de conhecimento de engenharia. O complexo estava dividido em duas seções: uma com os equipamentos necessários para o funcionamento dos banhos e outra destinada aos banhos e ao repouso.
Na área de equipamentos, os arqueólogos descobriram a fornalha que aquecia o piso do banho e a base de uma caldeira de cobre que teria sido usada para aquecer a água — embora a caldeira em si tenha desaparecido.
Na suíte de ambientes usada pelo imperador, foram encontradas três piscinas ou banheiras, além de um sudatório, o termo latino para banho de vapor ou sauna.
Um design pensado para conforto e status
Segundo o Institute of Archaeology, o complexo não era apenas um espaço destinado à higiene pessoal, mas um banho privado projetado para os residentes de alto status do palácio. Arquitetura, infraestrutura técnica e conforto formavam um todo funcional integrado.
Os pesquisadores pretendem continuar explorando o complexo termal para compreender melhor como os ambientes se estruturavam e como o imperador Maximino e sua família acessavam a instalação.











