A Heineken confirmou o encerramento de um ciclo em sua liderança global. Após meses de queda nas vendas e pressão do mercado, a cervejaria holandesa anunciou que o presidente-executivo Dolf van den Brink deixará o cargo no dia 31 de maio. A saída ocorre em um momento delicado para a companhia, marcado por retração do consumo, números no vermelho e perda de confiança de investidores.
A renúncia foi anunciada no início de janeiro e surpreendeu analistas e acionistas. Logo após a confirmação, o Conselho de Administração informou que iniciou a busca por um novo CEO, em um processo considerado atípico para a empresa, que tradicionalmente planeja sucessões com antecedência.
Os dados financeiros ajudam a explicar o clima de tensão. Entre julho e setembro de 2025, a Heineken registrou queda global de 4,3% no volume de vendas, em meio à inflação persistente, incertezas econômicas e retração do consumo. No Brasil, o cenário foi ainda mais severo, com queda de vendas em dois dígitos, segundo a própria companhia.
No terceiro trimestre, as receitas somaram 8,7 bilhões de euros, representando recuo de 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a receita líquida caiu 0,3%, reforçando a percepção de fragilidade no desempenho operacional.

O que diz o CEO
Em comunicado oficial, Dolf van den Brink reconheceu as dificuldades enfrentadas pela empresa.
“A volatilidade macroeconômica aumentou e criou um ambiente desafiador. Nas Américas, o mercado de cerveja está realmente enfraquecendo”, afirmou o executivo.
Em outra nota, ele justificou a decisão de deixar o cargo:
“A Heineken chegou a um estágio em que uma transição na liderança servirá melhor à empresa na execução de suas ambições de longo prazo”, declarou van den Brink.
O executivo, que assumiu o comando em junho de 2020, em plena pandemia da Covid-19, permanecerá como consultor da companhia por oito meses a partir de junho.
Desempenho abaixo dos rivais
Desde a chegada de van den Brink à presidência, as ações da Heineken apresentaram desempenho inferior ao de concorrentes diretas, como a AB InBev, controladora da Ambev, e a Carlsberg. Nos últimos cinco anos, os papéis da cervejaria holandesa acumulam queda superior a 25%.
A empresa também já sinalizou ao mercado que deve encerrar o balanço anual com retração de 2% a 3% no volume total de cerveja vendido, além de crescimento de lucro no piso das projeções anteriores.




