Durante muitos anos, a Argentina foi considerada uma ótima opção de turismo na América Latina para quem não estava podendo gastar tanto. Mas a fama de “país barato” de visitar foi acabando nos últimos anos e o nosso vizinho registrou uma queda impressionante no número de turistas. Mesmo com uma queda na inflação, moradores e visitantes continuam acumulando perda no poder de compra.
Uma matéria de outubro do ano passado do portal Terra conversou com turistas que foram recentemente para a Argentina, que relataram ter ficado chocados com os preços. A mineira Ana Paulo Grossi, que já tinha visitado o país anos antes, contou que ficou assustada com os preços no mercado. “Fui comprar uma Coca-Cola e paguei quase R$ 20. Está muito mais caro para quem mora aqui, nas coisas do dia a dia e de cuidados básicos”, relatou ao Terra.
O atleta Márcio Batista de Oliveira, que viajou para o país vizinho no ano passado, contou que pagou mais de R$ 300 em um prato de comida. Ele destacou que, mesmo morando em Santos, uma cidade turística, ele nunca tinha pagado tão caro nesse tipo de coisa. Uma turista polonesa chamada Natalia contou que foi a sua primeira vez visitando a Argentina e que ficou surpresa por encontrar preços muito comparáveis aos do seu próprio país.
Segundo o Terra, esse aumento nos preços do país impactou o perfil dos turistas que visitam a Argentina, já que mais estadunidenses e europeus começaram a procurar o país, que antes era muito visitado por moradores de outros países da América do Sul, como brasileiros.
Argentina conseguiu reduzir inflação, mas poder de compra não aumentou
Entre 2023 e 2025, a inflação na Argentina caiu de 211,4% para 31,5%. Mesmo com o aumento de preços desacelerando no país, o poder de compra dos argentinos não melhorou. A carioca Catherine Leão, que vive no país há sete anos, contou em matéria recente da RFI que alimentos básicos viraram “artigo de luxo”. “Café, pães, ovos, laticínios ficaram proibitivos”, relata.
Desde que o presidente Javier Milei assumiu, no final de 2023, aposentados, trabalhadores privados, funcionários públicos nacionais e provinciais acumularam perdas salariais, segundo o RFI. Um estudo do Instituto Argentino de Análise Fiscal (IARAF) aponta que quase todos os setores tiveram um encolhimento no poder de compra.




